


Turma percorreu Florianópolis, Palhoça e Joinville em três dias de imersão. Programação uniu grade curricular no Sapiens Parque, dinâmica prática de inteligência artificial e visitas técnicas a mais de dez ambientes de inovação catarinenses.
Encerrou-se na última sexta-feira (14), em Joinville, o Módulo 02 do Programa de Qualificação em Gestão de Ambientes de Inovação, realizado pela Anprotec em parceria com o Sebrae Nacional e tendo o Sapiens Parque como anfitrião, além do apoio do Sebrae de Santa Catarina. Ao longo de três dias, a turma de 2026 — formada por 68 gestores de incubadoras, aceleradoras, parques tecnológicos e hubs de inovação de todas as regiões do país — percorreu Florianópolis, Palhoça e Joinville em uma imersão dedicada à gestão estratégica de ambientes e áreas de inovação.
Segundo dos três módulos presenciais do Programa, a etapa catarinense combinou um dia inteiro de grade curricular no Sapiens Parque, em Florianópolis, além de dois dias de visitas técnicas a ambientes de referência do estado. Concebido em formato de missão nacional, o Programa percorre cinco cidades em três ecossistemas de inovação de destaque no país. Santa Catarina figura entre os ecossistemas mais maduros e articulados do Brasil, e Florianópolis é reconhecida pelo estudo Startup Genome entre os principais da América Latina.
“Este é um ecossistema que aprendeu cedo a não trabalhar sozinho”
Vice-presidente da Anprotec e diretor executivo da incubadora CELTA, em Florianópolis, Tony Chierighini recebeu a turma em casa. Para ele, a escolha de Santa Catarina como sede do segundo módulo tem um significado que vai além da logística.
“Receber os gestores de todo o país aqui em Santa Catarina é motivo de alegria para quem construiu boa parte da sua trajetória neste ecossistema”, afirmou. “Este é um ambiente que se organizou cedo, aprendeu a não trabalhar sozinho e construiu uma rede que atravessa incubadoras, parques, universidades, indústria e governo. É exatamente isso que queremos compartilhar: abrir a casa e mostrar o que deu certo, mas também o que não deu. É assim que a rede nacional se fortalece.”
“Uma decisão que se mostra mais acertada a cada módulo”
Responsável pela contextualização do encontro na abertura, a presidente da Anprotec, Adriana Ferreira de Faria, destacou o retorno do Programa ao calendário da Associação, o caráter de missão nacional da iniciativa e a rede que se forma entre os participantes.
“Retomar essa formação foi uma decisão que se mostra mais acertada a cada módulo”, disse. “Mas seria pouco chamar isso apenas de qualificação. O que estamos fazendo aqui é uma missão nacional: são cinco cidades — São Paulo, São José dos Campos, Florianópolis, Joinville e Recife — e oito dias de imersão dentro de ambientes de inovação reais, com os gestores vendo de perto modelos de governança muito diferentes entre si e conversando com quem os opera todos os dias.”
“E tem o networking, que não é acessório: é parte do método”, completou. “Colocar na mesma sala gestores de todas as regiões do país cria uma rede que continua funcionando depois que o módulo termina. Existe uma demanda represada por qualificação em gestão de ambientes de inovação no Brasil, e a Anprotec tem a responsabilidade e a capacidade de respondê-la — mas o que fica, no fim, é também essa rede.”
Abertura com o poder público estadual
A abertura do módulo, na manhã de quarta-feira (12), no auditório do Sapiens Parque, reuniu o diretor-presidente do Sapiens Parque, Eduardo César Cordeiro Vieira, responsável pelas boas-vindas da casa; a presidente da Anprotec, Adriana Faria; e o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação de Santa Catarina, Fábio Wagner Pinto, que encerrou a solenidade.
Concebido como um parque de inovação de nova geração, o Sapiens Parque articula, em um território de mais de 4 milhões de metros quadrados no Norte da Ilha, empresas, centros de pesquisa, universidades e o governo estadual em torno de setores como tecnologia, saúde, energia, turismo e economia criativa.
Do retrato do ecossistema à governança dos ambientes
A programação técnica começou pelo território: Alexandre Souza, gerente de Inovação do Sebrae Santa Catarina, apresentou os resultados do estudo Startup Genome sobre o ecossistema de Florianópolis. A partir dali, o dia se organizou em três workshops, cada um seguido de longos blocos de perguntas e debate com a turma — formato que se consolidou como marca do Programa.
O primeiro deles, Governança e Gestão Estratégica de Ambientes, teve mediação de Luís Gustavo Peles, gerente de Operações e Projetos da Anprotec. Adriana Faria tratou de governança em ambientes de inovação, gestão estratégica e desenvolvimento territorial; Tony Chierighini apresentou o CERNE — conceitos, histórico e importância do modelo para a gestão de ambientes de inovação.
Na sequência, em Estruturação, Governança e IA, sob mediação de Artur Gibbon, diretor de Ambientes de Inovação da Anprotec, José Eduardo Azevedo Fiates (FIESC) abordou o ciclo de vida de startups e empresas de base tecnológica; Fernanda Konradt de Campos (Fundação CERTI) tratou de estruturação, governança e posicionamento estratégico; e Eduardo Esteves Zanin (Inatel) discutiu o uso de inteligência artificial na governança dos ambientes.
À tarde, o workshop Benchmarking e Inserção Global, mediado por Eliza Coral (IEL/SC), deslocou a discussão para fora do país: Gabriela Werner (Impact Hub Floripa) apresentou cases nacionais e as diferentes realidades de parques e áreas de inovação, e Diego Chierighini (Parque de Inovação Pedra Branca) trouxe o case internacional, com foco em posicionamento global e aprendizados.
Duas horas de mão na massa em inteligência artificial
O bloco final do dia rompeu o formato de apresentações. Conduzida por Eduardo Zanin e Renan Barbosa, do Inatel Startups, a dinâmica aplicada IA em Ambientes de Inovação: Startups e Mercado levou os participantes, notebook aberto e em duplas, da automação de tarefas ao uso de agentes de inteligência artificial em prospecção, workflows inteligentes e aceleração comercial. O dia foi encerrado com um momento de conexão na Mercadoteca, no Passeio Sapiens.
Dez ambientes visitados na Grande Florianópolis
Na quinta-feira (13), a turma dedicou o dia às visitas técnicas na Grande Florianópolis. Pela manhã, o grupo conheceu o CELTA, na SC-401, com foco em metodologia de incubação e indicadores de governança; percorreu o Sapiens Parque, com a diretoria executiva apresentando infraestruturas e modelos de gestão imobiliária; e ouviu Marcelo Gomes, CEO da Hurbana, sobre ativação de endereços, a partir dos cases Pedra Branca, Primavera e Sapiens Parque.
À tarde, a turma se dividiu em três grupos para visitas simultâneas à Miditec/ACATE, à Nanovetores e ao laboratório de Fotovoltaica da UFSC e, na sequência, ao Instituto Senai de Inovação, à MOA Ventures e à Produza. O dia foi encerrado no Inaitec, na Cidade Criativa Pedra Branca, em Palhoça, com a discussão sobre a integração entre inovação e urbanismo sustentável em um ecossistema que hoje reúne mais de 2.300 empresas ativas.
Encerramento em Joinville
O módulo foi concluído na sexta-feira (14) em Joinville. Pela manhã, a visita ao Ágora Tech Park colocou em pauta governança e indicadores de sustentabilidade; à tarde, a Aceleradora Softville apresentou indicadores de desempenho e métricas de aceleração — fechando a etapa catarinense na mesma chave com que ela começou: a de medir o que se entrega.
Próximo módulo: Recife
O Programa de Qualificação em Gestão de Ambientes de Inovação chega ao encerramento nos dias 3 e 4 de setembro, em Recife (PE), com o Porto Digital na anfitrionia. O Módulo 03 é dedicado à sustentabilidade econômica, à internacionalização e às redes globais. A iniciativa integra as ações estratégicas da Anprotec para fortalecer os ecossistemas de inovação e empreendedorismo nos âmbitos local, regional e nacional.