



Maíra Nobre de Castro, diretora de Redes e Associados da Anprotec, mediou painel sobre gênero, financiamento e barreiras estruturais no empreendedorismo feminino.
Representando a Anprotec, Maíra Nobre de Castro participou, em 2 de junho, do workshop de apresentação do relatório de avaliação do Programa Mulheres Inovadoras (PMI), realizado na sede da Finep, no Rio de Janeiro. O evento reuniu representantes do ecossistema de inovação, empreendedoras, mentoras e especialistas para debater os resultados e os desafios da principal iniciativa nacional de incentivo ao empreendedorismo feminino de base tecnológica.
Diretora de Redes e Associados da Anprotec, coordenadora da Incubadora de Empresas do IFCE e mentora do PMI há três anos, Maíra mediou o Painel 2: “Gênero, Redes e Financiamento – Barreiras Estruturais no Empreendedorismo Feminino”, com a participação de Adriele Menezes (EcoCiclo), Cris Pellegrin (mentora do PMI) e Dandara Porto Pedreira (GRIDX).
O debate abordou o acesso desigual a capital, a menor inserção feminina em redes estratégicas, os vieses presentes nos processos de avaliação de negócios e o papel das políticas públicas na redução dessas assimetrias. Segundo dados do Sebrae citados durante a discussão, as mulheres lideram mais de 10 milhões de negócios no Brasil, o equivalente a cerca de 34% do total. No universo das startups, porém, representam apenas 19,9% das pessoas fundadoras, e somente 4,7% das startups investidas têm fundadoras ou CEOs mulheres.
Entre os fatores estruturais discutidos no painel, estiveram a sobrecarga associada ao trabalho de cuidado, as dificuldades de acesso a mentorias, mercados e visibilidade, e a necessidade de políticas públicas voltadas a crédito, qualificação, proteção à maternidade, apoio à permanência de pesquisadoras mães e incentivo à participação de meninas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).
O workshop também marcou a apresentação do relatório elaborado no âmbito do Laboratório Latino-americano de Políticas Públicas em Ciência e Tecnologia (POLICyT Lab) da UNESCO, com apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID). Esta foi a primeira vez que o laboratório analisou um instrumento da Finep, no âmbito de sua edição dedicada ao Brasil.
Criado em 2020 pela Finep e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Programa Mulheres Inovadoras busca fortalecer startups lideradas por mulheres por meio de capacitação, mentorias, conexões estratégicas e premiações financeiras. Desde sua criação, a iniciativa já acelerou 193 startups e distribuiu R$ 10 milhões em prêmios para empreendedoras de todo o país.
“Discutir empreendedorismo feminino é também discutir acesso a oportunidades, economia do cuidado e políticas públicas capazes de criar condições mais equitativas para empreender. A atuação da Anprotec, junto à sua rede de incubadoras, aceleradoras e parques tecnológicos, é fundamental para que essas oportunidades cheguem a empreendedoras de todas as regiões do país”, afirmou Maíra Nobre de Castro.