


Com mais de mil inscritos, 26 estados e mais de seis países representados, o maior encontro brasileiro de empreendedorismo e ambientes de inovação chega pela segunda vez à Região Norte e elege incubadoras, parques tecnológicos, aceleradoras e hubs como protagonistas — e não cenário — da consolidação dos ecossistemas.
Manaus (AM), 29 de junho de 2026
A 36ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação foi oficialmente aberta na noite desta segunda-feira, no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus, sob o tema “Consolidando Ecossistemas: Empreendedorismo Inovador para a Economia do Futuro”. Realizada pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) em parceria com o Sebrae Nacional, e com organização local da Fundação Paulo Feitoza (FPFtech) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a edição marca o retorno do principal evento do setor à Amazônia — a segunda vez que a Região Norte recebe a conferência desde 2014.
Desde os primeiros minutos, a cerimônia deu o tom que atravessaria todas as falas: o de que os ambientes de inovação deixaram de ser infraestrutura de apoio para se tornarem operadores estratégicos do desenvolvimento. Incubadoras, parques tecnológicos, aceleradoras e hubs foram apresentados, ao longo da noite, como os articuladores que conectam universidade, governo, empresas, comunidades e empreendedores e que transformam pesquisa em solução, tecnologia em mercado e cooperação em impacto.

Coube à presidente da Anprotec, Adriana Ferreira de Faria, abrir os pronunciamentos. “Toda cerimônia de abertura é, para mim, uma oportunidade de fazer os agradecimentos e os reconhecimentos necessários — não só pela realização da conferência, mas, sobretudo, pela trajetória da Anprotec e dos nossos ambientes de inovação no Brasil”, afirmou. Agradeceu nominalmente aos parceiros locais — a UEA, a FPFtech e o conjunto de instituições de Manaus e do Amazonas — e saudou os parceiros nacionais que, segundo ela, acompanham a Anprotec “desde a primeira hora”.
Foi nesse ponto que a presidente traduziu em números a dimensão do ecossistema que a conferência representa. Em sua apresentação, citou mais de 400 associados, 76 parques tecnológicos em operação no país e mais de 40 em implantação, aos quais estariam vinculadas cerca de 3,8 mil empresas de base tecnológica. Essas empresas, afirmou, responderam por um faturamento superior a R$ 50 bilhões e por mais de 50 mil empregos de qualidade no último ano — postos marcados, segundo ela, por uma parcela expressiva de profissionais com mestrado e doutorado, com efeito multiplicador relevante na geração de empregos na economia. A presidente citou ainda as incubadoras de empresas como a base que dá origem e sustenta esse ecossistema: mais de 250 incubadoras em atividade no país, que abrigam cerca de 2 mil empresas nascentes — as mesmas que, em suas palavras, “alimentam” os parques tecnológicos.
Adriana fez questão de lembrar que os parques tecnológicos brasileiros ainda são jovens e estão no início de sua trajetória — argumento que usou para projetar o potencial de crescimento do setor e reforçar a necessidade de políticas públicas e de financiamento estáveis e de longo prazo. “Os parques tecnológicos brasileiros ainda são muito jovens; nós estamos apenas no começo dessa trajetória”, afirmou. Sobre a própria conferência, destacou os mais de mil inscritos, os 26 estados e os mais de seis países representados, além de mais de 45 atividades entre painéis, workshops, curtas e apresentações de trabalhos.
A presidente da Anprotec mencionou ainda o Prêmio Anprotec, que neste ano reuniu cerca de 70 submissões de cases e somou mais de 500 mil interações nas redes sociais. Outro destaque foram e os mais de 300 artigos e relatos de boas práticas submetidos à Chamada de Trabalhos — sinal, observou, da maturidade crescente da produção de conhecimento sobre ambientes de inovação no Brasil. “Sejam muito bem-vindos. Muito obrigada pela confiança que me trouxe até aqui, e que tenhamos uma excelente conferência”, concluiu.
Ao agradecer aos parceiros, Adriana abriu caminho para a fala do Sebrae Nacional, representado por José Zeferino Pedrozo, presidente do Conselho Deliberativo Nacional (CDN) da instituição, que havia reunido o colegiado em Manaus na manhã do mesmo dia. Pedrozo afirmou que a trajetória da Anprotec se confunde com a própria consolidação do ecossistema brasileiro de inovação e que o Sebrae tem orgulho de caminhar ao lado dessa história, fortalecendo incubadoras, parques, aceleradoras e startups.
Para ele, a inovação não é tema restrito às grandes empresas ou aos grandes centros urbanos. “A inovação não é um tema restrito às grandes empresas ou aos grandes centros urbanos: é instrumento de transformação econômica e social, é inclusão produtiva, é geração de renda”, afirmou. Nesse contexto, posicionou os ambientes de inovação como espaços centrais — que aproximam ciência e mercado, conectam startups a oportunidades e aceleram a inovação aberta — e reafirmou o apoio aos pequenos negócios inovadores como prioridade estratégica do sistema Sebrae, em uma atuação cada vez mais articulada com a Anprotec nas frentes de internacionalização, transformação digital dos pequenos negócios e inovação industrial.
O fio do financiamento à inovação conduziu naturalmente à fala da Embrapii, representada por seu diretor de Planejamento e Gestão, Guilherme Coutinho Calheiros. Ex-superintendente executivo da própria Anprotec, Calheiros falou de dentro do movimento dos ambientes de inovação ao apresentar os resultados da empresa: mais de 4,2 mil projetos apoiados em 12 anos, quase 3 mil empresas atendidas, 99 unidades distribuídas por todas as regiões do país e cerca de R$ 8,6 bilhões investidos em pesquisa e desenvolvimento. Ressaltou que a parceria com o Sebrae viabilizou parcela significativa desses projetos e destacou o modelo ágil da Embrapii — de fluxo contínuo, sem chamadas, com recursos assegurados até a conclusão do projeto — como uma das inovações institucionais mais relevantes do ecossistema nos últimos anos.
Na sequência, a Finep, patrocinadora da conferência, foi representada por Fernanda Stiebler, chefe de gabinete da presidência, em nome do presidente Luiz Antônio Elias. Fernanda valorizou a realização do evento na Amazônia como expressão de uma diretriz de participação regional que a agência vem adotando para aproximar a formulação de políticas públicas das realidades locais. Defendeu que o ecossistema e as associações mantenham uma “cobrança” ativa e propositiva junto ao governo — levando cenários e sugestões — e informou que a equipe operacional da Finep estaria à disposição dos participantes, no estande da agência, ao longo de toda a conferência.
Se a Finep falou em olhar para as realidades regionais, foram os anfitriões locais que deram rosto a essa Amazônia. Pela FPFtech, a diretora de Tecnologia Andréa Vieira sublinhou que a região, reconhecida mundialmente por sua biodiversidade, é também um território que produz tecnologia, ciência, inovação e novos negócios. “Somos reconhecidamente bons em biodiversidade, mas este evento vai mostrar que, aqui na Amazônia, também estamos envolvidos com tecnologia, ciência, inovação e novos negócios”, disse. Instituição com quase três décadas de atuação em pesquisa e desenvolvimento e reconhecida com o Prêmio Finep de Inovação 2025 na categoria Ambiente de Inovação, a FPFtech se colocou como parte ativa desse contexto e agradeceu à Anprotec e ao ecossistema por trazerem a conferência para o coração da Amazônia.
A perspectiva regional ganhou estatura institucional na fala de Alcian Souza, diretor-executivo da Agência de Inovação da UEA (Agin/UEA), que representou o governador do Amazonas e o reitor da universidade, professor André Zogahib. Souza afirmou que a Amazônia não é apenas imagem do futuro, mas parte decisiva de sua construção. “Vamos dizer ao Brasil que a Amazônia é a imagem do futuro — e que ela é parte decisiva da sua construção”, declarou. Descreveu um cenário em que universidades, centros de pesquisa, incubadoras, aceleradoras e ambientes colaborativos passaram a ocupar o centro da agenda de desenvolvimento regional. Citou a bioeconomia e iniciativas estaduais recentes de fortalecimento da pesquisa e da inovação, e resumiu a mensagem do governo do estado em três verbos: “Queremos cooperar mais, internacionalizar mais e interiorizar mais.” O Amazonas, concluiu, chega à conferência “disposto a oferecer ao Brasil não apenas um território de riquezas, mas um território de soluções”.
A dimensão nacional da agenda coube ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), representado pelo secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Daniel Almeida Filho, em nome da ministra Luciana Santos. O secretário situou os ambientes de inovação dentro da política industrial Nova Indústria Brasil, lembrando que nenhum país se desenvolve sem uma base industrial forte, e defendeu a desconcentração regional dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação para além do eixo Sul-Sudeste — diretriz que, segundo ele, explica a escolha de Manaus como sede e se reflete em anúncios recentes de aportes voltados ao interior do país.
Ao transmitir a mensagem da ministra Luciana Santos, Daniel Almeida Filho reforçou o papel histórico da Anprotec na construção do sistema nacional de inovação e classificou o tema da conferência como oportuno em um momento em que ciência, tecnologia e inovação se afirmam como estratégias centrais para o desenvolvimento, a geração de empregos qualificados, a sustentabilidade ambiental e a redução das desigualdades. A escolha da Amazônia, registrou a mensagem, carrega significado especial pela convergência entre bioeconomia, desenvolvimento sustentável e transformação produtiva com impacto social e ambiental.
Encerrados os pronunciamentos, a organização agradeceu a presença de autoridades, parceiros, patrocinadores, apoiadores e participantes e declarou abertos os trabalhos de uma conferência que, nas palavras da mesa, tem a Amazônia como palco para o encontro de ideias, experiências e iniciativas voltadas ao fortalecimento dos ecossistemas de inovação. Os participantes foram então convidados para a apresentação cultural de abertura, concebida para celebrar o início da jornada e a integração entre representantes de todo o Brasil e do exterior.
Pelos próximos dias, o Centro de Convenções Vasco Vasques concentra plenárias e painéis nacionais e internacionais, a premiação dos melhores trabalhos da Chamada, a entrega Prêmio de Empreendedorismo Inovador Anprotec e o tradicional Sebrae Convida, além de visitas técnicas ao ecossistema de Manaus no encerramento.
Da abertura, fica a tese que costurou todas as falas: a de que consolidar ecossistemas, na economia do futuro, passa por reconhecer os ambientes de inovação como operadores — protagonistas capazes de transformar conhecimento em desenvolvimento, dentro e fora da Amazônia.
A 36ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação acontece de 29 de junho a 2 de julho, em Manaus (AM), com o tema “Consolidando Ecossistemas: Empreendedorismo Inovador para a Economia do Futuro”. A edição é realizada pela Anprotec em parceria com o Sebrae, com organização local da Fundação Paulo Feitoza (FPFTech) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).