



Primeiro dos três módulos do programa reuniu no Sebrae São Paulo 70 gestores de ambientes de inovação de todas as regiões do país. A abertura teve autoridades estaduais de ciência, tecnologia e desenvolvimento econômico.
São Paulo (SP), 29 de julho de 2026 — Teve início nesta quarta-feira (29), na sede do Sebrae São Paulo, o Módulo 01 do Programa de Qualificação em Gestão de Ambientes de Inovação, realizado pela Anprotec em parceria com o Sebrae Nacional e o Sebrae São Paulo. A turma de 2026 reúne 70 gestores de incubadoras, aceleradoras, parques tecnológicos e hubs de inovação de diferentes estados brasileiros, em uma jornada de três módulos presenciais e intensivos que percorrerá, até setembro, três dos principais ecossistemas de inovação do país.
Concebido em formato de missão nacional, o Programa combina imersão em sala de aula com visitas técnicas a ambientes de inovação de referência. O Módulo 01 começou em São Paulo — o maior e mais diversificado ecossistema de inovação da América Latina — e se estende até sexta-feira (31), com roteiros em São José dos Campos e na capital paulista.
Anfitrião do módulo, o diretor superintendente do Sebrae São Paulo, Nelson Hervey Costa, abriu as falas destacando o caráter estratégico do encontro. Para ele, a reunião de gestores de todas as regiões em uma mesma sala tem alcance que ultrapassa o estado que sedia a atividade.
“Apoiar um ambiente de inovação é apoiar o lugar onde acontece a sinergia entre as ações de governo, da academia e das grandes empresas — e onde tudo isso se transforma em apoio concreto ao empreendedor”, afirmou. “Inovação transforma o país.”
Hervey apresentou o programa Ecossistemas Locais de Inovação (ELI), do Sebrae, que hoje atua em 12 cidades e deve alcançar 20 municípios liderando ecossistemas locais até o fim do ano. Ele defendeu ainda a conexão entre os parques tecnológicos brasileiros e um arco de atuação que vai da ideação à internacionalização de startups, somado ao trabalho junto aos governos na construção de políticas municipais, estaduais e federais — inclusive no apoio ao poder público para que utilize integralmente os instrumentos legais que permitem a contratação de soluções inovadoras.
“Empreender é um desafio, e o Sebrae é mais um elo nessa cadeia de quem apoia. Queremos que todo empreendedor que tenha uma ideia consiga encontrar apoio próximo de onde ele está”, resumiu.
Vice-presidente da Anprotec, Tony Chierighini apresentou o contexto do evento e situou o Programa dentro da trajetória da Associação, que completa quase quatro décadas de atuação.
“Capacitar e reunir são as duas coisas que a Anprotec faz desde 1987 — está no DNA da Associação”, afirmou. “Formar quem gere esses ambientes e colocar essas pessoas na mesma sala, porque nenhum ecossistema se desenvolve isolado. É exatamente isso que este Programa faz: entrega conhecimento técnico de ponta e, ao mesmo tempo, fortalece uma rede nacional que sai daqui maior do que entrou.”
Diretora de Redes e Associados da Anprotec, Maíra Nobre apresentou a Associação, fundada em 1987 e que hoje reúne mais de 450 ambientes ligados ao movimento de empreendedorismo inovador — incubadoras, aceleradoras, parques tecnológicos e hubs vinculados a universidades, governos, setor privado e instituições de ciência, tecnologia e inovação. Ela destacou as três frentes de atuação da entidade — representação institucional do setor, disseminação do conhecimento e articulação de políticas públicas —, a parceria histórica e estratégica com o Sebrae e iniciativas como as missões técnicas internacionais, a certificação CERNE, a Conferência Anprotec e os Programas de Qualificação para Gestores de Ambientes de Inovação, que vêm formando gestores, fortalecendo ambientes e contribuindo para a criação de novas empresas.
A abertura reservou um momento de homenagem a Sylvio Rosa, diretor do ParqTec de São Carlos e membro fundador da Anprotec, cuja trajetória se confunde com a própria história do movimento de empreendedorismo inovador no Brasil. Em sua fala, ele destacou a amplitude nacional do movimento e a importância da articulação entre as duas instituições que realizam o Programa.
“Essa união entre Sebrae e Anprotec é fundamental. O mundo está mudando muito rápido, e a inovação é o instrumento dessa nova economia”, disse. “A pequena empresa inovadora tem papel fundamental nessa construção. Precisamos escalar a produção de startups como um exército.”
A abertura contou ainda com a presença de autoridades do sistema paulista de ciência, tecnologia e inovação, que em seguida compuseram o primeiro workshop do dia: o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Vahan Agopyan, responsável pelo encerramento da solenidade; a diretora da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo (SP Produz), Mariana Piaia Abreu; o diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp, Carlos Frederico de Oliveira Graeff; e o diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), professor Anderson Ribeiro Correia.
Encerrada a abertura, a programação técnica começou pelo retrato do próprio território: Letícia Jorge Pinto, do Sebrae for Startups do Sebrae São Paulo, apresentou os resultados do estudo Startup Genome sobre o ecossistema paulista. Dali em diante, o dia se organizou em quatro workshops, todos seguidos de longos blocos de perguntas e debate com a turma.
O primeiro deles, Ecossistema Paulista e Políticas de Fomento, ficou sob mediação de Anderson Ribeiro Correia e percorreu as políticas estaduais de fomento, os instrumentos da Fapesp e as estratégias de atração de investimentos e desenvolvimento produtivo. Do panorama, a turma passou à engenharia dos ambientes: em Estruturação dos Ambientes de Inovação, com mediação de Nelson Tadeu Cancellara, Gesil Sampaio Amarante Segundo (UESC) tratou de política de CT&I e marco legal, Leopoldo Gomes Muraro (MCTI) detalhou modelagens jurídicas e Guilherme Ary Plonski (USP) leu os ambientes à luz da Triple Helix.
Ainda pela manhã, em Marketing, Inteligência e Escala, sob mediação de Mariana Zanatta Inglez (Inova Unicamp), a discussão se deslocou para fora dos muros: Luciano Valente (Anprotec) tratou de marketing estratégico e posicionamento de ambientes de inovação, e Rafael Valle (RNP) apresentou os instrumentos públicos de conectividade como fator de infraestrutura e atratividade.
À tarde, o último bloco — Métricas de Impacto e Sustentabilidade, mediado por Maíra Nobre — fechou a jornada pela pergunta que costuma ser a mais dura para quem gere esses ambientes: como medir o que se entrega. Sheila Oliveira Pires (Embrapii) falou de gestão sustentável, indicadores e economia de impacto, e Mariana Gomes (PIT) tratou de gestão estratégica, indicadores e sustentabilidade. Encerrado o conteúdo, a última hora do dia foi reservada ao networking entre os participantes — parte integrante da metodologia do Programa.
Nesta quinta-feira (30), a turma segue para São José dos Campos em roteiro de bate-volta. Pela manhã, o grupo visita o PIT – Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos, com foco em governança, integração aeroespacial e infraestrutura compartilhada; à tarde, conhece o Parque Tecnológico da Univap, exemplo de modelo de parque universitário e incubação acadêmica.
Na sexta-feira (31), as visitas permanecem na capital paulista, em um percurso que vai do mercado à ciência e à sustentabilidade: STATE, com foco em inovação aberta e conexão B2B; Cietec, na USP, maior incubadora de base tecnológica do estado; IPT Open Experience, dedicado à pesquisa aplicada e a laboratórios compartilhados; e Green Sampa, em Pinheiros, hub de tecnologias verdes e sustentabilidade urbana.
O Programa de Qualificação em Gestão de Ambientes de Inovação segue em agosto para o Módulo 02, em Florianópolis e Joinville (SC), de 12 a 14, tendo o Sapiens Parque como anfitrião. O encerramento acontece em Recife (PE), nos dias 3 e 4 de setembro, com o Porto Digital na anfitrionia. A iniciativa integra as ações estratégicas da Anprotec para fortalecer os ecossistemas de inovação e empreendedorismo nos âmbitos local, regional e nacional.