Atividade interativa com participantes abordou os principais desafios da formação acadêmica, apresentando exemplos de cursos de pós-graduação e oportunidades para negócios inovadores
Manaus, 30 de junho de 2026 – A origem do empreendedorismo deep tech ocorre, em grande parte, dentro de instituições de ensino superior (IES), por meio de pesquisas científicas, e em instituições de ciência e tecnologia (ICT). O tema foi discutido no Workshop 1 – Empreendedorismo Deep Tech: Da Pós-Graduação ao Mercado, realizado durante a 36ª Conferência Anprotec. A atividade abordou, de forma prática, estratégias para transformar pesquisas em empreendimentos inovadores, destacando a importância da articulação entre diferentes atores do ecossistema brasileiro.
Como mediadora do workshop, Ana Carolina Calçado, CEO e presidente da Wylinka, destacou que a jornada do pesquisador até a inserção no mercado é marcada por diversos desafios. Dessa forma, a atividade buscou compreender as dificuldades apresentadas pelos participantes para que os convidados pudessem compartilhar soluções e caminhos capazes de facilitar esse processo e contribuir para a geração de resultados.
A atividade contou com a participação de Paulo Renato Macedo Cabral, gerente de Inovação do Sebrae Nacional; Daniela Fernandes, CEO da DIASCI; e Tiago Quim, coordenador de Projetos e Inovação do Parque Científico da UFRGS. Os convidados contribuíram com reflexões sobre as diferentes etapas da jornada de desenvolvimento de deep techs, desde a formação do pesquisador até a atuação de ambientes de inovação universitários e instrumentos de fomento.
Antes de iniciar as apresentações, Ana Carolina Calçado realizou uma interação com a plateia para conhecer as instituições e os estados de origem dos participantes, identificando a diversidade de perfis presentes na atividade. Em seguida, explicou a dinâmica do workshop e destacou desafios recorrentes compartilhados pelos participantes, como governança e articulação, conexão entre academia e mercado, capacidade empreendedora e investimentos.
A mediadora também ressaltou a importância da perspectiva regional, destacando que, apesar dos desafios comuns, cada macrorregião brasileira apresenta particularidades e demandas específicas para o desenvolvimento de negócios inovadores.
Daniela Fernandes iniciou sua participação relembrando sua trajetória profissional, marcada pelo ingresso na graduação em Química com o objetivo de seguir carreira acadêmica. Esse propósito também a levou a cursar programas de pós-graduação e concluir o doutorado. No entanto, durante essa etapa, a pesquisadora passou a questionar por que muitos conhecimentos desenvolvidos na academia não chegavam ao mercado.
“Sinto que é uma obrigação minha, como profissional formada pela universidade pública, devolver esses conhecimentos para a população. É o público que mantém essas instituições”, afirmou.
A partir de novas experimentações, Daniela identificou oportunidades para transformar os resultados da pesquisa em benefícios para a sociedade. Após a inscrição em editais, a proposta da CEO da DIASCI foi aprovada pelo programa Catalisa, do Sebrae, iniciativa que, segundo ela, foi fundamental para diferenciar os objetivos da pesquisa acadêmica daqueles relacionados ao mercado.
Ao abordar os desafios enfrentados nessa transição, a pesquisadora destacou dificuldades relacionadas à compreensão do funcionamento do mercado, à busca por parceiros para validação e aos processos regulatórios. Nesse sentido, ressaltou a necessidade de fortalecer conexões entre regulação, startups, instituições de fomento e indústria.
Paulo Renato Macedo Cabral destacou que um dos principais elementos para o desenvolvimento de uma deep tech é a formação qualificada de profissionais. Segundo o gerente do Sebrae, os programas de pós-graduação possuem papel essencial na transformação da economia brasileira.
“Quando falamos de deep tech, esse setor é formado por pessoas. Sem a formação qualificada, não existirão negócios inovadores nesse setor e nós seremos um país fadado a commodities”, afirmou.
O palestrante também destacou outros fatores fundamentais para o desenvolvimento desses negócios, como disponibilidade de tempo, paciência e persistência. A infraestrutura, especialmente aquela disponível nas universidades, também foi apontada como um elemento estratégico para a criação e evolução de deep techs.
Além disso, Paulo ressaltou que, embora todo empreendimento necessite de recursos financeiros, negócios desse setor demandam investimentos elevados devido ao alto grau de pesquisa e desenvolvimento envolvido. Para ele, o avanço das deep techs depende também de uma mudança cultural na economia brasileira, ampliando a capacidade de investimento e criando novas oportunidades de inovação.
Representando os ambientes de inovação em instituições de ensino superior, Tiago Quim destacou que esses espaços são fundamentais para o desenvolvimento de novos negócios. Segundo o palestrante, as universidades possuem um papel estratégico na geração de conhecimento, mas ainda enfrentam desafios na aproximação entre objetivos acadêmicos e iniciativas empreendedoras.
Nesse contexto, o Parque Científico da UFRGS desenvolve diferentes ações para estimular o empreendedorismo inovador entre estudantes e professores. Entre as iniciativas citadas estão a oferta de disciplinas relacionadas ao empreendedorismo, participação em eventos, reuniões com pesquisadores com potencial de transformar estudos em negócios, programas de introdução ao empreendedorismo e incubadoras voltadas para projetos de diferentes setores.
Após as apresentações, os participantes foram organizados em duplas para compartilhar experiências e boas práticas desenvolvidas em diferentes instituições, sejam elas acadêmicas, científicas ou tecnológicas. Na sequência, foram apresentadas as principais ideias e resultados dos diálogos realizados durante a atividade.
A 36ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação acontece de 29 de junho a 2 de julho, em Manaus (AM), com o tema “Consolidando Ecossistemas: Empreendedorismo Inovador para a Economia do Futuro”. A edição é realizada pela Anprotec em parceria com o Sebrae, com organização local da Fundação Paulo Feitoza (FPFTech) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).