Experiências da região Norte mostraram como parques tecnológicos, bioeconomia, políticas públicas e inovação podem impulsionar o desenvolvimento sustentável e conectar a Amazônia às agendas globais.
Manaus (AM), 1º de julho de 2026 – Encerrando a programação técnica da 36ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação, a Plenária 5 – Amazônia e Inovação Sustentável: Conectando o Norte ao Futuro do Brasil reuniu representantes do poder público, parques tecnológicos e instituições de ciência e tecnologia para discutir o papel estratégico da Amazônia na construção de um modelo de desenvolvimento baseado em inovação, bioeconomia e sustentabilidade.
Com mediação de Rodrigo Quites Reis, coordenador de Ambientes de Inovação da Universidade Federal do Pará (UFPA), participaram da plenária Marcos Marques, coordenador de Políticas e Estratégias em CT&I do Amapá; Ricardo da Silva Moldes, diretor do Departamento de Economia Solidária e Criativa da Semtepi; Taciana Coutinho, coordenadora do Parque Científico e Tecnológico do Alto Solimões (PaCTAS); e Olinda Maria Figueira Canhoto, analista de Negócios da FPFTech.
Na abertura, Rodrigo Quites destacou que a Amazônia precisa ser reconhecida para além de sua biodiversidade. Para ele, a região reúne centros urbanos, parques industriais e comunidades tradicionais que compõem um ecossistema diverso, capaz de gerar soluções inovadoras para desafios globais. O mediador também ressaltou que a formação de pessoas e fortalecimento dos ecossistemas de inovação são os principais desafios para consolidar esse potencial.
Representando o Parque Científico e Tecnológico do Alto Solimões (PaCTAS), Taciana Coutinho apresentou a experiência de implantação de um parque tecnológico em uma região de tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. Segundo ela, o projeto foi estruturado a partir das necessidades do território e da formação de pessoas, envolvendo diretamente comunidades indígenas e ribeirinhas na construção das soluções.
Taciana destacou que a dinâmica econômica da região apresenta desafios logísticos únicos, mas também oportunidades para desenvolver modelos de inovação voltados à realidade amazônica. Entre os avanços apresentados estão a inclusão do parque nas iniciativas apoiadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a captação de mais de R$ 27 milhões para projetos e o fortalecimento de startups locais, como a Pietá Bio, exemplo de empreendimento voltado à bioeconomia que já busca investidores para ampliar sua atuação.
Na sequência, Olinda Canhoto apresentou a visão da FPFTech sobre o desenvolvimento da bioeconomia na Amazônia. Segundo ela, os ambientes de inovação estiveram, durante um longo período, voltados principalmente para setores industriais tradicionais, o que reforçou a necessidade de criar parques tecnológicos especializados em bioeconomia.
Para a professora, a floresta deve ser entendida como um laboratório vivo para o desenvolvimento de soluções climáticas, tecnologias sustentáveis e novos modelos de negócios que valorizem os conhecimentos tradicionais e a sociobiodiversidade amazônica.
Olinda destacou ainda que escalar negócios na bioeconomia significa fortalecer toda a cadeia produtiva, desde os pequenos produtores até a comercialização dos produtos, gerando desenvolvimento econômico aliado à conservação ambiental.
“Na bioeconomia amazônica, escalar significa fortalecer todo o ecossistema, e não apenas ampliar o faturamento das empresas.”
Ela também apresentou o Amazônia Tech Park como uma iniciativa estratégica voltada à pesquisa aplicada, ao empreendedorismo inovador e à construção de um ambiente capaz de promover desenvolvimento e preservação de forma integrada.
O Diretor do Departamento de Economia Solidária e Criativa (SEMTEPI), Ricardo Moldes apresentou os avanços na implantação do Distrito de Inovação do Largo de São Vicente, iniciativa que busca revitalizar o centro histórico da cidade por meio da economia criativa, do empreendedorismo e da inovação.
Segundo ele, o projeto prevê a ocupação de espaços históricos com atividades voltadas à tecnologia, formação de talentos e desenvolvimento de startups, aproximando inovação e população.
Ricardo destacou ainda que a Prefeitura de Manaus busca atuar como parceiro fundamental das startups, utilizando soluções desenvolvidas pelos empreendedores locais para enfrentar desafios da administração pública, especialmente em áreas como saúde e gestão urbana.
Outro destaque foi a criação da Escola de Inovação, iniciativa voltada à formação de jovens e ao fortalecimento da cultura empreendedora desde a educação básica.
“Acreditamos que as pessoas são o futuro da humanidade. Inovação é tornar o ser humano capaz de transformar a realidade.”
Encerrando as apresentações, Marcos Marques, coordenador de políticas e estratégias em CT&I do Amapá compartilhou a experiência de implantação do Foz do Rio Amazonas Tech Park, iniciativa do Governo do Amapá voltada ao fortalecimento do ecossistema regional de inovação.
O coordenador explicou que o parque nasceu a partir de uma política estadual de investimento em ciência, tecnologia e inovação, reunindo recursos do Governo do Estado, da Finep e do BNDES para estruturar um ambiente capaz de impulsionar cadeias produtivas estratégicas da região.
Segundo ele, o parque foi concebido não apenas como uma infraestrutura física, mas como uma plataforma de articulação entre universidades, empresas, startups e comunidades locais, promovendo inovação em setores como bioeconomia, economia digital e recursos naturais.
Marcos destacou que o ecossistema amapaense passou de pouco mais de 40 startups para cerca de 220 empreendimentos inovadores em poucos anos, resultado de investimentos em editais, capacitação e aproximação com ecossistemas mais maduros do país.
Durante sua fala, também ressaltou que a inovação precisa responder às necessidades reais da Amazônia, fortalecendo cadeias produtivas e gerando desenvolvimento econômico de forma sustentável.
No debate com o público, os participantes responderam a perguntas sobre exploração de petróleo na Margem Equatorial, integração entre universidades e parques tecnológicos, parcerias com unidades Embrapii e estratégias para consolidação de ecossistemas de inovação nas regiões Norte e Nordeste.
Já os representantes de Manaus destacaram que a governança dos ambientes de inovação depende da atuação conjunta entre universidades, empresas, institutos de ciência e tecnologia e poder público, reforçando que nenhum parque tecnológico é construído de forma isolada, mas sim a partir de redes de colaboração e objetivos compartilhados.