Atividade dialogou com representantes do MCTI, Samsung e Tutiplast sobre modelos práticos de colaboração entre os setores público e privado no ecossistema de inovação brasileiro
Manaus (AM), 1º de julho de 2026 – Em busca da consolidação da inovação brasileira, instituições dos setores público e privado têm buscado novas alternativas por meio de modelos de colaboração. Nesse contexto, a 36ª Conferência Anprotec promoveu o Workshop 2 – Inovação Aberta e Conexões com Grandes Empresas, apresentando exemplos práticos da aplicação desses modelos em grandes empresas e startups.
A atividade foi mediada por Carlos Alberto de Matos, coordenador-geral de Ambientes Inovadores e Startups do MCTI, e contou com a participação de José Cambeiro, gerente de Projetos de P&D da Samsung, e Fábio Leandro Calderaro, gerente de Novos Negócios e Inovação da Tutiplast. Em diálogo com a plateia, os palestrantes abordaram desafios e fatores fundamentais para estabelecer uma colaboração em inovação aberta mais eficiente e estruturada.
Ao iniciar sua participação, Carlos Alberto de Matos destacou que a inovação aberta é uma estratégia que tem crescido e se disseminado nos últimos anos, com resultados positivos em diferentes países. Para contextualizar esse cenário, o representante do MCTI ressaltou que o ministério tem desenvolvido iniciativas, como comitês, voltadas à regulamentação de pontos do Marco Legal das Startups, estabelecido pela Lei Complementar nº 182/2021. Ao apresentar os convidados, o mediador destacou que o debate traria contribuições relevantes para o fortalecimento do ecossistema de inovação.
Em sua apresentação, José Cambeiro destacou que a inovação aberta, sob a perspectiva de uma grande empresa como a Samsung, exige uma análise aprofundada sobre a gestão e a transferência de riscos para os investidores. Segundo o palestrante, reconhecer esses riscos é essencial para estruturar estratégias e garantir uma melhor administração dos projetos.
Na sequência, Cambeiro abordou desafios relacionados à escolha de parceiros, como capacidade de execução, governança, compliance, maturidade administrativa, controle documental e confiabilidade. Nesse sentido, ressaltou que a tecnologia representa apenas uma parte do processo de decisão.
A propriedade intelectual também foi um dos temas discutidos pelo representante da Samsung, que reforçou a importância da formalização de acordos antes do início das atividades de parceria, reduzindo riscos de conflitos futuros. Além dos aspectos financeiros, o palestrante destacou as dimensões ética e reputacional da inovação aberta, que podem impactar diretamente a imagem das empresas envolvidas.
“Essa administração de como o recurso é utilizado é essencial, porque o insucesso técnico custa dinheiro, mas a falha ética pode custar a marca da empresa”, afirmou.
A partir dessa perspectiva, Cambeiro ressaltou que um caminho estratégico consiste em escolher o parceiro adequado para cada desafio, garantindo que a seleção esteja alinhada à natureza do projeto. Para isso, destacou fatores fundamentais na construção de relações de confiança entre startups e empresas, como governança com papéis e riscos definidos, clareza de competências, transparência na comunicação de falhas sem punição e alinhamento de objetivos e incentivos.
Ao finalizar sua apresentação, o representante da Samsung reforçou que a inovação aberta deve ser construída com foco na gestão de projetos, administração conjunta de riscos e definição prévia de aspectos relacionados à propriedade intelectual.
“A inovação aberta não consiste em conectar empresas. Consiste em construir confiança suficiente para que elas inovem juntas”, concluiu.
Dando continuidade ao workshop, Fábio Leandro Calderaro apresentou a trajetória da Tutiplast, empresa de soluções em injeção plástica com atuação nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. O representante destacou a expansão do negócio, que atualmente conta com quatro unidades instaladas em diferentes estados brasileiros.
O ponto de virada da empresa ocorreu em 2022, quando a Tutiplast passou a investir no desenvolvimento de soluções sustentáveis, considerando os impactos ambientais associados ao uso do plástico. Como objetivo, a empresa iniciou um processo voltado à contribuição para a descarbonização da cadeia produtiva, alinhado às metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
Nesse processo, Calderaro ressaltou que as soluções sustentáveis foram desenvolvidas a partir do fortalecimento das ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). Ao longo da jornada, a empresa enfrentou desafios, como a estruturação de uma cadeia de fornecimento de recursos. Atualmente, após superar essas etapas, a Tutiplast atua em uma rede de colaboração organizada em quatro eixos: socioprodutivo, governamental, tecnológico e empresarial.
“Além de desenvolver materiais de baixo carbono e ajudar na descarbonização da indústria, a gente trabalha no desenvolvimento de cadeias sustentáveis, que, para nós, é o mais importante”, destacou Calderaro.
Como representante do MCTI, Carlos Alberto de Matos destacou que a relação entre empresas e iniciativas públicas apresenta diferentes perspectivas. “O Estado é visto como solução, por ser um grande financiador e indutor, mas também como vilão, pelo excesso de burocratização e lacunas”, afirmou.
Diante desse cenário, o moderador convidou os palestrantes a compartilharem suas experiências com o poder público, abordando dificuldades e benefícios encontrados nesses processos.
José Cambeiro ressaltou que a democracia é um fator fundamental para a construção desse diálogo entre empresas e governo. O palestrante destacou ainda a necessidade de maior agilidade em processos essenciais para o desenvolvimento de soluções inovadoras.
“Hoje a gente vive em um mundo em que temos ferramentas para agilizar alguns processos, principalmente a Inteligência Artificial. Mas é necessário um investimento para acelerar esses processos em uma velocidade maior”, afirmou.
Na sequência, Fábio Leandro Calderaro compartilhou sua trajetória profissional, com experiências tanto no setor privado quanto no público, destacando sua compreensão sobre a importância da burocratização para garantir segurança e organização dos processos. Segundo ele, as políticas públicas devem estimular não apenas a oferta, mas também a demanda por inovação.
Após as apresentações, o mediador conduziu uma rodada de perguntas com os participantes, que discutiram temas como estabelecimento de governança, construção de conexões com resultados de médio e longo prazo e desafios relacionados à aquisição de propriedade intelectual.
A 36ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação acontece de 29 de junho a 2 de julho, em Manaus (AM), com o tema “Consolidando Ecossistemas: Empreendedorismo Inovador para a Economia do Futuro”. A edição é realizada pela Anprotec em parceria com o Sebrae, com organização local da Fundação Paulo Feitoza (FPFTech) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).