Bioeconomia como ator de desenvolvimento social, econômico e ambiental positivo

Painel do Sebrae Convida reuniu empreendedores que investem em alternativas mais sustentáveis para modelos de negócios inovadores, destacando a Amazônia como referência em biodiversidade

Modelos de negócios mais sustentáveis têm ganhado destaque nos últimos anos no contexto da inovação. Na manhã desta terça-feira (30), durante a 36ª Conferência Anprotec, o Painel 1 do Sebrae Convida — “Bioeconomia de impacto: modelos de negócios que regeneram territórios e geram valor econômico” — abordou o potencial da bioeconomia para a criação de novos mercados, geração de renda para comunidades tradicionais, desenvolvimento local e fortalecimento da biodiversidade. 

Com mediação de Wanderléia dos Santos Teixeira, gestora do Projeto de Bioeconomia do Sebrae Amazonas, o painel reuniu três empreendedores cujas trajetórias exemplificam a força da bioeconomia como vetor de inovação e desenvolvimento sustentável: Marcus Bessa, cofundador do Impact Hub Manaus e presidente do Impact Hub Brasil; Pricila Almeida, CEO da Amazônia Smart Food; e Sandro Cortezia, fundador da VENTIUR Investimentos em Novos Negócios. 

Os participantes discutiram a transformação de negócios inovadores baseados em bioeconomia e os desafios para o fortalecimento desse setor no Brasil, especialmente na região Norte. 

Bioeconomia: recurso natural como base para o desenvolvimento socioeconômico

Wanderléia dos Santos Teixeira abriu o painel ressaltando a importância da participação do Sebrae na Conferência Anprotec. À frente do projeto de bioeconomia, a mediadora destacou que o evento reforça um dos grandes diferenciais do Amazonas: a biodiversidade.

Nesse contexto, a gestora questionou os convidados sobre as perspectivas para negócios que utilizam a bioeconomia e sobre como os povos da floresta podem acessar oportunidades de desenvolvimento geradas por esse modelo. 

Marcus Bessa respondeu destacando a necessidade de uma análise estratégica sobre a bioeconomia aplicada a cada negócio inovador, considerando as características dos territórios, as práticas existentes, os produtores envolvidos, as cadeias produtivas e a geração de valor econômico. 

Segundo o painelista, iniciativas de bioeconomia se diferenciam de atividades tradicionais por três aspectos principais: o uso responsável dos recursos naturais, a construção de condições para uma vida próspera e geração de autonomia para os territórios. 

Para Pricila Almeida, o principal diferencial da sociobioeconomia está na agregação de valor desde o início do processo, considerando o escopo do negócio e o contexto territorial, além do fortalecimento das comunidades locais. 

“Então, se todas as etapas estiverem fazendo o melhor aproveitamento bioativo e econômico que a floresta oferece, nós teremos um exemplo positivo de sociobioeconomia, que incentiva o fortalecimento da sociobiodiversidade”, destacou a CEO da Amazônia Smart Food.  

A empreendedora ressaltou a importância da otimização dos recursos, da qualificação da matéria-prima e de práticas como o upcycling. Segundo ela, modelos bem estruturados podem inspirar outras cadeias produtivas e ampliar impactos positivos nos campos social e ambiental. 

Ao iniciar sua participação, Sandro Cortezia parabenizou a iniciativa do Sebrae em trazer a pauta da bioeconomia para a 36ª Conferência Anprotec. O painelista apresentou exemplos de apoio a negócios inovadores do setor, especialmente por meio de investimentos de capital e da aproximação com startups que desenvolvem soluções em diferentes territórios, com destaque para o Amazonas. 

Como parte dessa estratégia, a VENTIUR abriu uma filial em Macapá, promovendo programas de capacitação e ampliando sua atuação no apoio ao desenvolvimento de negócios inovadores na região Norte. 

Crescimento sustentável, acesso a recursos e inserção no mercado

Dando continuidade à discussão, Wanderléia dos Santos Teixeira questionou os convidados sobre os caminhos para integrar comunidades indígenas às estratégias de desenvolvimento sustentável e quais seriam os principais desafios desse processo. 

Marcus Bessa ressaltou que a inovação não acontece de forma isolada e depende da articulação de uma rede de atores para que a agenda da bioeconomia avance. Em contrapartida, destacou que um dos principais desafios está no acesso ao capital e na necessidade de ampliar conexões de mercado para além de Manaus e da região Norte. 

Nesse sentido, o painelista defendeu a união entre diferentes atores estratégicos para a criação de soluções conjuntas capazes de enfrentar desafios reais e gerar impactos positivos de longo prazo. 

Sobre o acesso a recursos, Wanderléia questionou Sandro Cortezia sobre as principais dificuldades para a captação de investimentos. O fundador da VENTIUR contextualizou o cenário atual de inovação, em que os recursos se tornaram mais restritos nos últimos anos. 

“Especificamente em questão da bioeconomia, é preciso reconhecer o potencial desse setor e, em uma ótica de crescimento, prospectar o retorno financeiro dos negócios inovadores com foco nesta área”, afirmou o painelista.  

Segundo ele, um dos grandes desafios é o desconhecimento sobre o potencial da bioeconomia e sobre o retorno financeiro de investimentos em negócios desse setor, que podem apresentar resultados a partir do segundo ou terceiro ano de operação. Como essas iniciativas demandam uma jornada de desenvolvimento mais longa, Sandro compartilhou exemplos de sucesso para incentivar empreendedores e investidores a apostarem no setor. 

Em seguida, Pricila Almeida abordou os desafios relacionados à inserção de produtos da bioeconomia no mercado. De acordo com a painelista, existe interesse e um público disposto a experimentar novos negócios, mas ainda há falta de conhecimento sobre essas soluções. 

Dessa forma, destacou a importância de uma articulação conjunta para levar produtos da biodiversidade a mercados nacionais e internacionais, por meio da construção de narrativas de consumo capazes de comunicar o valor desses produtos. 

Principais desafios e encerramento

No encerramento do painel, Wanderléia destacou os principais desafios apresentados pelos convidados e convidou os participantes a apontarem uma ação prioritária para fortalecer o desenvolvimento da bioeconomia no ecossistema de inovação. 

Sandro Cortezia destacou a importância da busca por smart money, modelo que combina capital, conexões estratégicas e apoio comercial para reduzir barreiras de entrada no mercado.

Pricila Almeida complementou que, além do smart money, é necessária a institucionalização de uma política econômica de financiamento capaz de integrar uma força contínua desde o início da cadeia produtiva até a chegada ao mercado. 

Por fim, Marcus Bessa destacou quatro pilares fundamentais para o avanço da bioeconomia: conhecimento, mercado, investimento e políticas públicas. Segundo ele, esses elementos precisam atuar de forma integrada para garantir um desenvolvimento contínuo e sustentável. 

Sobre a Conferência Anprotec 2026

A 36ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação acontece de 29 de junho a 2 de julho, em Manaus (AM), com o tema “Consolidando Ecossistemas: Empreendedorismo Inovador para a Economia do Futuro”. A edição é realizada pela Anprotec em parceria com o Sebrae, com organização local da Fundação Paulo Feitoza (FPFTech) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).