Especialistas discutem o papel das políticas públicas, da diversidade, das fundações de apoio e das métricas de impacto na consolidação de ambientes de inovação mais sustentáveis e conectados aos territórios.
Manaus (AM), 1º de julho de 2026 – A programação da tarde do terceiro dia da 36ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação contou com a Roda de Conversa 3 – Governança de Ecossistemas de Inovação: Inclusão, Diversidade e Empreendedorismo – Indicadores de Impacto e Avaliação de Ecossistemas. O encontro reuniu representantes do governo, da iniciativa privada, de fundações e de ambientes de inovação para discutir como fortalecer a governança dos ecossistemas brasileiros, ampliar a inclusão e desenvolver indicadores capazes de medir o impacto real da inovação nos territórios.
Participaram do debate Marcela Ferreira Paes, coordenadora-geral de Incentivo à Cooperação e à Inovação na Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (MEC); Ana Carolina Bastida da Silva, especialista em Finanças Sustentáveis da Fundação Grupo Boticário; Juliana Melo, CEO da Getin Aceleradora; e Andrea Moura da Costa Souza, diretora administrativa e financeira da Fundação de Apoio ao Instituto de Ciência e Tecnologia do Instituto Federal do Ceará (IFCE). A mediação foi conduzida por Maira Nobre de Castro, diretora de Redes e Associados da Anprotec.
Na abertura da atividade, Maira destacou que governança, inclusão, diversidade e indicadores de impacto são temas indissociáveis para o fortalecimento dos ecossistemas de inovação. Segundo ela, além dos resultados financeiros, é preciso avaliar aspectos como sustentabilidade ambiental, redução de desigualdades e desenvolvimento territorial.
Ela ressaltou que os ambientes de inovação devem definir seus indicadores a partir das necessidades e vocações de cada território, considerando a atuação integrada entre governo, academia, empresas e sociedade.
Representando o MEC, Marcela Ferreira Paes apresentou programas e políticas públicas voltados ao fortalecimento da educação profissional, da inovação e do empreendedorismo. A partir disso, ela explicou que indicadores são instrumentos fundamentais para orientar investimentos e avaliar resultados, servindo de base para a construção de políticas públicas mais efetivas.
Entre as iniciativas apresentadas, foram citados o Plano Nacional de Educação, programas como Mulheres Mil e EnergIFE, além da Trilha de Pré-Incubação Brasil Inovador, desenvolvida em parceria com redes estaduais e federais de ensino. As ações têm como objetivo ampliar o acesso à educação profissional, incentivar o empreendedorismo e aproximar estudantes dos habitats de inovação.
Marcela também destacou projetos de capacitação para docentes, estudantes e gestores em áreas como bioeconomia, economia solidária e energias renováveis, reforçando que a formação de jovens é essencial para preparar profissionais para o futuro do trabalho.
“Todos os indicadores nos ajudam a construir políticas públicas para construir hoje o futuro.“
Na sequência, Ana Carolina Bastida da Silva apresentou a Fundação Grupo Boticário, organização que há 35 anos investe em conservação da natureza e no fortalecimento de negócios de impacto.
A especialista destacou o Movimento Viva Água, iniciativa voltada à segurança hídrica que reúne diferentes atores para promover conservação ambiental, desenvolvimento econômico e fortalecimento de negócios sustentáveis em diversas bacias hidrográficas brasileiras.
Segundo Ana, o programa combina recursos filantrópicos, mecanismos financeiros e articulação entre parceiros para impulsionar soluções locais, sempre respeitando as características territoriais.
“Precisamos ter um olhar nacional, mas respeitando as especificidades de cada região e fortalecendo a articulação dos negócios locais.”
Representando a Getin Aceleradora, Juliana Melo abordou os desafios de transformar ideias em negócios inovadores e defendeu uma visão mais ampla sobre os indicadores utilizados pelos ambientes de inovação.
Para ela, a governança deve considerar não apenas o desenvolvimento tecnológico, mas também os impactos gerados após a aceleração das empresas, como sua permanência no mercado, geração de valor e contribuição para o território.
Juliana também ressaltou a importância da evolução da tríplice hélice para a hélice quíntupla, incorporando sociedade e meio ambiente às relações entre governo, academia e empresas.
“Um ecossistema forte não se mede pelo que faz, mas pelo impacto que gera“, concluiu.
Encerrando as apresentações, Andrea Moura refletiu sobre os desafios da governança dos ecossistemas de inovação brasileiros e o papel estratégico das fundações de apoio na articulação entre universidades, institutos de pesquisa, empresas e poder público.
Segundo ela, embora o Brasil possua pesquisadores qualificados, universidades consolidadas e políticas públicas importantes, ainda é necessário fortalecer os mecanismos que transformam conhecimento científico em desenvolvimento econômico e social.
Ao abordar a realidade da Amazônia, chamou atenção para as desigualdades regionais e defendeu que a inovação precisa contemplar também soluções sociais, bioeconomia, conhecimentos tradicionais e inclusão territorial.
“Não existe ecossistema forte quando parte do território não está incluída na inovação.”
Ela também propôs uma reflexão sobre os indicadores utilizados para medir os resultados dos ambientes de inovação, defendendo métricas que avaliem geração de empregos, transferência de tecnologia, impacto social, redução das desigualdades e permanência dos benefícios nos territórios.
A 36ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação acontece de 29 de junho a 2 de julho de 2026, em Manaus (AM), com o tema “Consolidando Ecossistemas: Empreendedorismo Inovador para a Economia do Futuro”. A edição é realizada pela Anprotec em parceria com o Sebrae, com organização local da Fundação Paulo Feitoza (FPFTech) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).