Atividade dinâmica em diálogo com os participantes buscou identificar desafios e oportunidades no setor, considerando a diversidade dos biomas brasileiros como motor de desenvolvimento
Manaus (AM), 1º de julho de 2026 – Negócios inovadores voltados ao desenvolvimento sustentável têm ganhado cada vez mais relevância diante da crescente preocupação social com as ações humanas e seus impactos no meio ambiente. Nesse contexto, a 36ª Conferência Anprotec promoveu o Workshop 3 – “Bioeconomia em Ação: Transformando Ativos da Biodiversidade em Negócios Inovadores e Sustentáveis x Bioeconomia em outras regiões do Brasil”, estimulando o diálogo sobre experiências de bioeconomia desenvolvidas em diferentes territórios do país.
A atividade, mediada por Fernanda Bombardi, Diretora de Programas do ICE, contou com a participação de Carlos Gabriel Koury, Presidente do IDESAM; Edson Pablo, Coordenador da Gestão, Inovação e Empreendedorismo do INPA/MCTI; Aurélio Martins Favarin, Analista da Equipe de Ambientes, Redes e Iniciativas da Embrapa; e Márcio de Miranda Santos, Diretor-Geral do CBA Amazônia.
O workshop foi dividido em três momentos. Inicialmente, os convidados apresentaram conteúdos relacionados às suas áreas de atuação, com o objetivo de estimular o debate com os participantes. Em seguida, os palestrantes participaram de rodas de conversa com a plateia, orientadas por uma pergunta central. Ao final da atividade, foram compartilhados os principais resultados das discussões.
Para iniciar as apresentações, Carlos Gabriel Koury apresentou o principal objetivo do IDESAM: transformar conhecimento, desde o campo até os negócios de impacto. Segundo o palestrante, para o desenvolvimento de um sistema que integre inovação e biodiversidade, é necessário que o mercado reconheça as contribuições do suporte comunitário em cadeias produtivas sustentáveis.
Nesse sentido, Koury destacou a importância de ampliar as formas de atuação dos ecossistemas de inovação, que devem buscar estratégias capazes de gerar impacto positivo na Amazônia. Para isso, ressaltou a necessidade de identificar conhecimentos desenvolvidos dentro das universidades e instituições de pesquisa que ainda não chegaram ao mercado.
Além disso, o palestrante afirmou que a bioeconomia já ocupa posição estratégica por ser uma agenda prioritária, mas ainda existem oportunidades não exploradas devido à ausência de incentivos para o desenvolvimento de pesquisas conectadas ao mercado. “Temos que fazer o triângulo — técnica, jurídico e sensibilidade — para que os processos sejam desenvolvidos. Esse modelo de articulação tem demonstrado resultados positivos”, explicou.
Em seguida, Edson Pablo reforçou os principais pilares da bioeconomia, caracterizando-a como um modelo de desenvolvimento baseado em justiça, ética e inclusão, com o objetivo de promover uma economia mais sustentável no país. No contexto amazonense, o palestrante apresentou resultados do INPA, instituição que atua há mais de 70 anos com pesquisa básica e aplicada.
“O INPA é a casa da inovação da Amazônia. Queremos nos tornar cada vez mais responsáveis pelo desenvolvimento sustentável na região”, destacou.
Ao longo das décadas, o instituto tem implementado estratégias de aproximação com a sociedade civil e o setor empresarial, como a otimização de processos de documentação para facilitar investimentos, rodadas de negócios com pesquisadores e iniciativas para aproximar a pesquisa da inovação.
“É preciso caminhar junto com os pesquisadores e entender as demandas de mercado para que todas as pesquisas sejam desenvolvidas com aderência às necessidades existentes”, afirmou.
Por fim, o palestrante destacou o potencial da biodiversidade amazônica, quando utilizada de forma adequada, para impulsionar o desenvolvimento econômico e contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população.
Representando a Equipe de Ambientes, Redes e Iniciativas da Embrapa, Aurélio Martins Favarin destacou a relevância da instituição, que atua há mais de 50 anos em 43 unidades distribuídas pelo Brasil, organizadas em três segmentos: produtos, temáticas e ecorregionais.
Segundo o palestrante, a equipe da Embrapa atua como uma consultoria estratégica para inserção junto aos ecossistemas de inovação. Dessa forma, a empresa tem intensificado ações de interação com ambientes de inovação para ampliar conexões com negócios inovadores baseados em biodiversidade.
“A gente percebe que, do ponto de vista tecnológico, temos diversas tecnologias sendo desenvolvidas. Além disso, existe muito potencial de biodiversidade dentro da Amazônia”, destacou.
No entanto, Favarin apontou que um dos principais gargalos da inovação no país está relacionado à análise de dados e à atuação dos atores nos ecossistemas regionais. Segundo ele, esses atores precisam atuar de forma integrada para identificar novas necessidades alinhadas às demandas dos territórios.
Em síntese, o palestrante destacou desafios para impulsionar o desenvolvimento bioeconômico no Brasil, como o entendimento do papel de cada ambiente dentro de uma região, a ampliação do acesso a financiamentos e o avanço tecnológico. Para isso, reforçou a importância da construção de ecossistemas fortes, capazes de apoiar o desenvolvimento de soluções e produtos relacionados aos diferentes biomas brasileiros.
Para encerrar as apresentações, Márcio Miranda ressaltou o papel da Anprotec e do CBA como articuladores de integração entre atores e instituições para o fortalecimento dos ecossistemas de inovação. Segundo o palestrante, essa construção exige estratégia, considerando que cada estado da Amazônia possui características próprias.
“No caso da bioeconomia, o que nós presenciamos, em todos os estados, é um movimento muito forte de ideação. Mas é necessário colocar um novo vetor econômico para impulsionar o desenvolvimento de negócios inovadores”, afirmou.
A partir dessa perspectiva, Miranda explicou que, para movimentar a economia, é necessário posicionar a bioeconomia como pauta prioritária na construção de cadeias produtivas mais sustentáveis.
Dessa forma, o palestrante destacou a existência de iniciativas voltadas à bioeconomia em diferentes regiões do país e reforçou a necessidade de organização das cadeias de valor para promover uma discussão mais aprofundada. Nesse processo, a Anprotec se apresenta como um ator relevante para articulação e fortalecimento dessas conexões.
Após as apresentações, a mediadora organizou os palestrantes e os participantes em quatro grupos de discussão sobre desafios e experiências relacionadas à bioeconomia. Entre os principais pontos levantados estiveram dificuldades envolvendo marcos regulatórios, impactos tributários nos resultados financeiros, desafios para atração de investimentos devido aos riscos envolvidos, integração entre atores responsáveis pelo desenvolvimento, valorização dos empreendedores antes do capital e inclusão do empreendedorismo na formação escolar.
A 36ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação acontece de 29 de junho a 2 de julho, em Manaus (AM), com o tema “Consolidando Ecossistemas: Empreendedorismo Inovador para a Economia do Futuro”. A edição é realizada pela Anprotec em parceria com o Sebrae, com organização local da Fundação Paulo Feitoza (FPFTech) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).