Programas de impacto e políticas públicas são destaque em roda de conversa sobre inovação e desenvolvimento regional

Debate reuniu representantes de universidades, do setor produtivo e do governo para discutir instrumentos de fomento, fortalecimento dos ecossistemas de inovação e oportunidades para os territórios brasileiros. 

Manaus (AM), 1º de julho de 2026 – O último dia da 36ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação começou com quatro atividades simultâneas, entre elas a Roda de Conversa 2 – Programas de Impacto e Inovação: Ação do Governo Federal, Instituições Envolvidas e Oportunidades para os Territórios.

O debate reuniu representantes de universidades, do setor produtivo e do governo para discutir políticas públicas, programas de fomento e estratégias para fortalecer os ecossistemas de inovação nas regiões Norte e Nordeste. Participaram da atividade Danniel Pinheiro, diretor executivo da Biozer da Amazônia; André Zogahib, reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA); e Joelia Marques de Carvalho, pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação do Instituto Federal do Ceará (IFCE). A mediação foi conduzida por Mariana de Oliveira Santos, coordenadora-geral de Instrumentos de Apoio à Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Políticas públicas como motor da inovação

Abrindo a roda de conversa, Joelia Marques apresentou um panorama da atuação do Governo Federal na estruturação das políticas de ciência, tecnologia e inovação e destacou o papel estratégico das universidades e dos Institutos Federais para o desenvolvimento regional.

Segundo a pesquisadora, o Brasil possui uma estrutura robusta de instituições de fomento, com mecanismos como CNPq, Finep, Embrapii. No entanto, ressaltou que esses instrumentos precisam chegar com mais intensidade aos territórios do Norte e Nordeste.

Joelia também destacou que o Estado não deve atuar apenas como financiador, mas também como consumidor de inovação, utilizando instrumentos como compras públicas para estimular o desenvolvimento de soluções para desafios da sociedade.

Ao abordar a experiência do IFCE, ela ressaltou a parceria com a Embrapii como um exemplo de política pública bem-sucedida.

A Embrapii conseguiu mudar a mentalidade sobre inovação. É uma política pública que deu certo e hoje funciona como um motor de desenvolvimento regional.

Ela acrescentou que os Institutos Federais ocupam uma posição estratégica por reunirem ensino, pesquisa aplicada, inovação e extensão tecnológica, formando profissionais preparados para atuar no mercado e no empreendedorismo inovador.

Amazônia como protagonista da inovação

Representando a Biozer da Amazônia, Danniel Pinheiro destacou que a região amazônica precisa deixar de ser reconhecida apenas como fornecedora de matérias-primas e passar a agregar valor aos seus próprios recursos naturais por meio da inovação.

Segundo ele, apesar da existência de diversos instrumentos de fomento, ainda há poucos projetos estruturados para aproveitar essas oportunidades.

A Biozer foi uma das primeiras startups a utilizar recursos da Lei da Informática voltados para a bioeconomia, experiência que, segundo Danniel, demonstra a importância das políticas públicas para o fortalecimento das empresas inovadoras na região.

Ele também destacou a atuação da Finep nos últimos anos, especialmente no processo de descentralização das ações e na aproximação com os estados da Amazônia.

Amazônia é uma das palavras mais faladas hoje. Ela tem uma força muito grande na comunicação, mas precisamos de estrutura para transformar essa visibilidade em negócios e desenvolvimento.”

Universidade, pesquisa e inovação

Na sequência, André Zogahib apresentou a experiência da Universidade do Estado do Amazonas na captação de recursos para pesquisa e inovação. O reitor explicou que a Agência de Inovação da UEA atua tanto na captação de financiamentos quanto na capacitação de pesquisadores para elaboração de projetos competitivos em editais nacionais.

Entre as principais fontes de financiamento, citou a Finep, o CNPq e outros programas federais voltados à inovação. Durante sua apresentação, Zogahib defendeu que o Brasil precisa desenvolver soluções alinhadas às características de seus próprios territórios, em vez de apenas reproduzir modelos internacionais.

Não adianta repetir o que outros países já fazem. Precisamos inovar do nosso jeito, valorizando as características da nossa região.”

Para ele, um ambiente de inovação sólido depende da integração entre governo, universidades públicas e privadas, empresas e terceiro setor, consolidando a chamada tríplice hélice da inovação.

Encerramento e perguntas

Durante o bloco de perguntas, um dos temas discutidos foi a aproximação entre instituições de ensino e empresas. Joelia explicou que a consolidação da unidade Embrapii do IFCE foi resultado de um longo processo de construção de confiança junto ao setor produtivo e que, atualmente, a própria reputação da instituição atrai novas empresas parceiras.

Outra questão abordou os indicadores de impacto dos projetos desenvolvidos pelas instituições; Danniel Pinheiro destacou que a Biozer considera não apenas o retorno financeiro, mas também os impactos socioeconômicos gerados nos territórios. Como exemplo, citou o desenvolvimento da cadeia produtiva do pracaxi, apoiada pela Finep, que fortaleceu cooperativas locais e despertou o interesse de outras empresas pela matéria-prima produzida na Amazônia.

Encerrando a atividade, a mediadora Mariana de Oliveira Santos reforçou que o conhecimento produzido nas universidades precisa alcançar o setor produtivo para gerar impacto econômico e social. Segundo ela, a inovação deve contribuir de forma efetiva para o crescimento da economia brasileira, tornando fundamental a aproximação entre instituições de pesquisa, empresas e os instrumentos públicos de fomento.

Sobre a Conferência Anprotec 2026

A 36ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação acontece de 29 de junho a 2 de julho, em Manaus (AM), com o tema “Consolidando Ecossistemas: Empreendedorismo Inovador para a Economia do Futuro”. A edição é realizada pela Anprotec em parceria com o Sebrae, com organização local da Fundação Paulo Feitoza (FPFTech) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).