Especialistas discutem os desafios dos parques tecnológicos, o papel das incubadoras, da formação de talentos e da articulação entre universidades, empresas e governo para consolidar os ecossistemas brasileiros de inovação.
Manaus (AM),30 de junho de 2026 – A terceira plenária da 36ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação reuniu especialistas para discutir o futuro dos habitats de inovação no Brasil e os desafios para fortalecer os ecossistemas de empreendedorismo inovador. Participaram do debate Luis Afonso Bermudez, conselheiro fiscal titular do Sebrae Nacional; Adriana Ferreira de Faria, diretora executiva do TecnoPARQ Centev/UFV e presidente da Anprotec; e Tony Chierighini, vice-presidente da Anprotec. A mediação foi conduzida por Marcelo Nunes da Silva, diretor de Empresas da Anprotec.
Abrindo o painel, Luis Afonso Bermudez apresentou uma visão sobre as transformações que vêm redefinindo os ambientes de inovação. Segundo ele, tecnologias como inteligência artificial e deep techs aceleram uma reconfiguração global que exige novas estratégias para os ecossistemas brasileiros.
Para Bermudez, embora a infraestrutura continue sendo relevante, o principal diferencial dos habitats de inovação será o fator humano. Competências como adaptabilidade, criatividade e liderança tornam-se cada vez mais relevantes em um cenário acelerado de transformações tecnológicas.
O palestrante destacou ainda que empresas, governo e ambientes de inovação exercem papéis complementares nesse processo. Enquanto as empresas impulsionam a inovação e o mercado, cabe ao poder público criar políticas de incentivo e financiamento. Já os ambientes de inovação devem atuar como articuladores territoriais, promovendo a cultura da inovação e oferecendo suporte em todas as etapas do desenvolvimento de novos negócios, desde a pré-incubação até a incubação e aceleração.
“Nossos recursos e nossa resiliência vão moldar a nova geração de territórios inovadores“, destacou Bermudez.
Na sequência, Adriana Ferreira destacou um ponto que considera essencial para o futuro dos parques tecnológicos: o fortalecimento das incubadoras de empresas. Segundo ela, antes de pensar na expansão dos parques, é preciso garantir uma base sólida para a criação de empresas inovadoras.
Para Adriana, os parques tecnológicos consolidados tendem a evoluir para verdadeiros distritos de inovação, totalmente integrados ao território e capazes de promover desenvolvimento econômico e social. No entanto, ela ressaltou que o maior desafio dos gestores continua sendo atrair e consolidar empresas inovadoras dentro desses espaços.
Atualmente, o Brasil conta com cerca de 76 parques tecnológicos em operação e outros 40 em implantação. Entretanto, segundo a palestrante, a maior parte desses espaços possui poucas empresas instaladas, evidenciando a necessidade de fortalecer toda a cadeia de geração de empreendimentos inovadores.
Nesse contexto, Adriana defendeu que incubadoras, aceleradoras, hubs de inovação e universidades não devem ser vistos de forma isolada, mas como partes de um mesmo ecossistema. Para ela, apenas uma base sólida será possível formar empresas capazes de ocupar os parques tecnológicos e impulsionar a inovação no país:
“Precisamos de boas incubadoras de empresas para nutrir e criar as empresas do futuro. São esses projetos que precisamos desenvolver para que eles impulsionem futuramente os parques tecnológicos.“
Em seguida, Tony Chierighini apresentou a trajetória do CELTA, parque tecnológico criado há 40 anos em Florianópolis com a missão de levar tecnologia para a indústria catarinense e nacional. Ao relembrar essa história, destacou que o crescimento dos ecossistemas depende da construção de bases sólidas desde as primeiras etapas do empreendedorismo inovador.
Tony também enfatizou que um dos maiores desafios brasileiros é fortalecer a conexão entre os próprios ambientes de inovação:
“No Brasil falta estarmos conectados com os nossos próprios ambientes. Por incrível que pareça, estamos melhor conectados com ambientes de fora, mas aqui dentro ainda precisamos fortalecer essa integração.“
Segundo o vice-presidente da Anprotec, o futuro dos habitats de inovação depende principalmente das pessoas, das universidades, dos centros de pesquisa e da capacidade de criar redes de colaboração entre todos os atores do ecossistema.
Durante o debate com o público, uma das principais questões abordadas foi a estruturação de programas de incubação capazes de gerar, de forma consistente, empresas inovadoras.
Adriana Ferreira destacou a importância da metodologia CERNE (Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos), desenvolvida pela Anprotec em parceria com o Sebrae, como referência para a gestão de incubadoras e demais ambientes de inovação. Segundo ela, além de adotar boas práticas de gestão, é fundamental que cada ambiente compreenda sua vocação e desenvolva suas atividades de acordo com as características e potencialidades do território onde está inserido.
Bermudez reforçou que a incubadora exerce um papel de grande suporte no desenvolvimento das startups, oferecendo orientação, estrutura e suporte para que elas amadureçam e possam atuar de forma independente no mercado.
Encerrando a discussão, Adriana ressaltou que os impactos dos ambientes de inovação vão muito além do número de empresas incubadas ou instaladas. Para ela, é necessário desenvolver formas de mensurar os impactos econômicos, sociais e tecnológicos gerados pelos ecossistemas e sua contribuição para o desenvolvimento regional.
Sobre a Conferência Anprotec 2026
A 36ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação acontece de 29 de junho a 2 de julho de 2026, em Manaus (AM), no Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques, com o tema “Consolidando Ecossistemas: Empreendedorismo Inovador para a Economia do Futuro”. A edição é realizada pela Anprotec em parceria com o Sebrae, com organização local da Fundação Paulo Feitoza (FPFtech) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
A programação completa está disponível em anprotec.org.br/conferencia2026.