Debate reuniu representantes da Suframa e do Parque de Ciência e Tecnologia Guamá para discutir estratégias que conectam inovação regional e bioeconomia
Manaus, 30 de junho de 2026 – A construção de ecossistemas de inovação capazes de impulsionar o desenvolvimento sustentável da Amazônia foi o foco do Painel Temático 2 – Ecossistemas amazônicos e inovação sustentável: experiências da região Norte e conexões com agendas globais, realizado durante a 36ª Conferência Anprotec. O debate reuniu representantes da Suframa e do Parque de Ciência e Tecnologia Guamá para apresentar iniciativas que demonstram como ciência, tecnologia, políticas públicas e articulação institucional podem fortalecer a bioeconomia e gerar desenvolvimento regional.
Com a mediação de Ima Vieira, pesquisadora do Museu Emilio Goeldi e assessora da Presidência da Finep, o painel destacou que os ecossistemas de inovação da Amazônia possuem características próprias, construídas a partir da interação entre conhecimento tradicional, tecnologias sociais e inovação aplicada para responder a desafios da região em áreas como logística, saúde, economia criativa e bioeconomia.
Durante a abertura, também foram apresentados dados que evidenciam a evolução da inovação na região Norte. Embora estudos anteriores apontassem limitações relacionadas ao investimento em pesquisa e desenvolvimento e à geração de conhecimento próprio, o cenário vem mudando rapidamente. O crescimento expressivo das startups de bioeconomia demonstra que a biodiversidade amazônica passa a ser cada vez mais utilizada como base para soluções inovadoras, integrando biotecnologia, inteligência artificial e conhecimentos tradicionais das comunidades locais.
Representando a Suframa, o coordenador-geral de Desenvolvimento Regional, Rafael Gouveia, apresentou o papel da organização na promoção do desenvolvimento sustentável por meio do modelo da Zona Franca de Manaus. Segundo ele, a existência de uma base econômica sólida é condição essencial para a preservação ambiental.
“O modelo da Zona Franca de Manaus oferece uma alternativa econômica capaz de gerar emprego, renda e desenvolvimento, reduzindo a pressão sobre a floresta e contribuindo para a conservação ambiental”, afirmou.
Gouveia destacou ainda que a política permite investimentos em diferentes áreas do conhecimento, incluindo bioeconomia, indústria 4.0, desenvolvimento de software e capacitação profissional. Os recursos financiam pesquisas, desenvolvimento tecnológico, formação de profissionais, geração de patentes, novos produtos e fortalecimento de instituições científicas e tecnológicas da região.
Representando o Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, em Belém (PA), o presidente João Weyl apresentou a trajetória do ambiente de inovação, construído a partir da parceria entre o Governo do Pará, universidades e parceiros estratégicos.
Segundo ele, o parque evoluiu de uma infraestrutura voltada à pesquisa para um ambiente integrado de inovação, reunindo laboratórios, empresas residentes, instituições científicas e startups.
Weyl destacou que o fortalecimento do ecossistema depende da articulação entre universidades, governo, empresas e instituições de fomento, permitindo transformar conhecimento científico em soluções para a sociedade. Foram apresentados exemplos de projetos de inclusão digital em comunidades, desenvolvimento de tecnologias para monitoramento ambiental e soluções para educação, saúde e bioeconomia.
Ao reunir experiências do Amazonas e do Pará, o debate reforçou que a construção de redes colaborativas, o fortalecimento das instituições de ciência e tecnologia e o investimento contínuo em inovação são elementos fundamentais para posicionar a região como protagonista no desenvolvimento de soluções sustentáveis com impacto local e relevância internacional.
Encerramento e perguntas
Após as apresentações, o público participou de um momento de perguntas e comentários sobre os temas abordados no painel. Entre os assuntos discutidos estiveram o funcionamento do Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, os mecanismos de financiamento à inovação, a integração da Suframa ao ecossistema nacional de inovação e os desafios para ampliar as conexões entre os ambientes de inovação da Amazônia e outras regiões do país.
O encerramento reforçou a importância da articulação entre governo, universidades, empresas e instituições de fomento para consolidar ecossistemas de inovação capazes de gerar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e protagonismo da Amazônia nas agendas globais de sustentabilidade.