{"id":38626,"date":"2021-10-06T11:53:46","date_gmt":"2021-10-06T14:53:46","guid":{"rendered":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/?p=38626"},"modified":"2021-10-06T11:55:16","modified_gmt":"2021-10-06T14:55:16","slug":"sex-wil-save-the-city","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/2021\/10\/sex-wil-save-the-city\/","title":{"rendered":"Sex wil save the city"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-85770c3 elementor-widget elementor-widget-theme-post-excerpt\" data-id=\"85770c3\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><em>As cidades est\u00e3o crescendo de forma muito r\u00e1pida, numa escala superlinear, mas seus componentes urbanos n\u00e3o acompanham esse ritmo. Algo parece sair do controle em desfavor da qualidade de vida<\/em><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p>H\u00e1 um problema com a as grandes cidades. Ali\u00e1s, v\u00e1rios. No geral, o nome da confus\u00e3o se chama deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade de vida, que \u00e9 obviamente um conceito relativo, pois envolve tanto quest\u00f5es facilmente mensur\u00e1veis, como oferta de leitos hospitalares, quanto de muito dif\u00edcil medi\u00e7\u00e3o, como satisfa\u00e7\u00e3o pessoal. Entender e explicar como funcionam as cidades \u00e9 mat\u00e9ria para especialistas. Mas como a gente vive nelas e \u00e9 parte da sua constru\u00e7\u00e3o cotidiana, temos uma esp\u00e9cie de autoridade cidad\u00e3 para opinar e contribuir para o debate. Cidades s\u00e3o incr\u00edveis constru\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-17402 lazyloaded\" src=\"https:\/\/canalmynews.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/cidade-imagem1.jpg\" alt=\"city\" width=\"800\" height=\"450\" data-ll-status=\"loaded\" \/><\/figure>\n<p>No passado, elas prosperavam principalmente porque eram dotadas de abund\u00e2ncia de recursos naturais, porque ficavam em encruzilhadas de grandes fluxos de pessoas em caravanas ou porque detinham posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica privilegiada para fins de defesa militar. Hoje, quando conhecimento e inova\u00e7\u00e3o s\u00e3o os principais ativos econ\u00f4micos, elas crescem porque s\u00e3o capazes de formar, atrair e reter gente. Especialmente, capital humano qualificado. Adicionalmente, cidades bem estruturadas tamb\u00e9m s\u00e3o mais eficientes e atrativas para capitais financeiros de risco, tornando-se assim mais habilitadas para impulsionar neg\u00f3cios competitivos criadores de riqueza em escala crescente.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 uma contradi\u00e7\u00e3o estrutural nas din\u00e2micas urbanas. Cidades s\u00e3o grandes incubadoras sociais. Quanto mais elas crescem, mais aptas a proverem infraestruturas, servi\u00e7os e oportunidades para os moradores elas se tornam. Mais ainda, elas facilitam conex\u00f5es e relacionamentos entre pessoas, que geram alma, senso de comunidade e d\u00e3o vida \u00e0s cidades. Esse \u00e9 o lado positivo dessas din\u00e2micas de crescimento exponencial. Mas isso tem um pre\u00e7o.<\/p>\n<p>Distanciando-se cada vez mais do\u00a0<em>jeito meio Londres, mansamente urbanizada em longas filas<\/em>\u00a0(no dizer aqui adaptado de Jo\u00e3o Cabral) \u2013 filas dos \u00f4nibus, dos postos de sa\u00fade, dos carros em vias engarrafadas\u2026 \u2013 com o tempo elas se tornaram agressivamente desiguais, colapsadas em infraestruturas prec\u00e1rias, viol\u00eancia urbana, falta de oportunidades, moradias caras, para a classe m\u00e9dia, e inexistentes, para as camadas de mais baixa renda progressivamente expelidas para periferias distantes dos n\u00facleos civilizados das cidades. E, ainda assim, seguem sendo atrativas para mais pessoas que imigram e v\u00e3o se somando \u00e0s outras nos dep\u00f3sitos de gente com baixa qualidade humana. O que refor\u00e7a o problema.<\/p>\n<p>O f\u00edsico e bi\u00f3logo ingl\u00eas Geoffrey West (<em>Scale<\/em>, dispon\u00edvel na Amazon) explora a quest\u00e3o da escala urbana por meio de analogias com os padr\u00f5es comuns ao crescimento biol\u00f3gico, em busca de uma esp\u00e9cie de modelo geral capaz de explicar os movimentos das cidades ou mesmo dos neg\u00f3cios. A efici\u00eancia das cidades \u00e9 reflexo dos ganhos de escala. E seu oposto tamb\u00e9m. De postos de gasolina a redes de esgoto, vias e habita\u00e7\u00f5es, tudo parece indicar que as infraestruturas e servi\u00e7os tendem a andar em descompasso com o crescimento das cidades numa propor\u00e7\u00e3o mais ou menos constante, algo como, em elas dobrando de tamanho, resultasse num encolhimento dos ativos urbanos em cerca de 15% (assim como os batimentos card\u00edacos dos mam\u00edferos caem 25% quando estes duplicam seu tamanho).<\/p>\n<p>E as cidades est\u00e3o dobrando, triplicando de tamanho. Numa proje\u00e7\u00e3o para os pr\u00f3ximos 30 anos, ser\u00e3o urbanizadas algo como 1,5 milh\u00e3o de habitantes por semana. Elas crescem numa escala superlinear, mas seus componentes urbanos crescem de forma sublinear. Algo parece sair fora de controle em desfavor da qualidade de vida de todos.<\/p>\n<p>Esses insights nos fazem refletir que o equil\u00edbrio da vida urbana passa a depender de pelo menos tr\u00eas fatores: i. do ritmo e intensidade das inova\u00e7\u00f5es destinadas a aumentar a efici\u00eancia no uso dos recursos urbanos; ii. da explora\u00e7\u00e3o equilibrada dos recursos naturais finitos, dita sustentabilidade; e iii. da estabilidade epidemiol\u00f3gica. Esse \u00faltimo ponto entra na equa\u00e7\u00e3o agora basicamente por conta da covid, pois quanto mais tempo o v\u00edrus perdurar \u2013 o corona e os pr\u00f3ximos \u2013 mais transformador ele ser\u00e1, implicando em mudan\u00e7as estruturais nos processos de trabalho que envolvem categorias de trabalhadores em servi\u00e7os tecnol\u00f3gicos e outros de mais alta qualifica\u00e7\u00e3o e renda \u2013 precisamente aqueles que tracionam a competitividade das cidades.<\/p>\n<p>Finda essa pandemia, o cen\u00e1rio de que pelo menos 20% das horas trabalhadas passem a se dar de forma remota delineia um panorama negativo para os grandes centros. Pois s\u00e3o esses trabalhadores de renda m\u00e9dia mais elevada que efetivamente t\u00eam capacidade de implementar um novo estilo de vida. Seu deslocamento para sat\u00e9lites urbanos, digamos assim, resultar\u00e1 na redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de disp\u00eandio nas cidades de origem, com forte impacto nos servi\u00e7os e com\u00e9rcio tradicionais. Como eles s\u00e3o grandes empregadores, e j\u00e1 enfrentam a concorr\u00eancia do com\u00e9rcio eletr\u00f4nico e da automa\u00e7\u00e3o das atividades, tender\u00e3o a experimentar uma espiral descendente de consumo, ocupa\u00e7\u00e3o e renda. Em outras palavras, decl\u00ednio urbano, para as cidades emissoras, prosperidade, para as receptoras. O que nos remete aos fatores i e ii anteriores.<\/p>\n<p>Mas existe um outro personagem nessa mesma equa\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o os muito jovens\u00a0<em>zillennials<\/em>\u00a0e os\u00a0<em>gen zers\u2019<\/em>, cujas expectativas quanto ao trabalho remoto s\u00e3o\/ser\u00e3o distintas da m\u00e9dia dos trabalhadores\u00a0<em>millennials<\/em>\u00a0pra tr\u00e1s. Eles buscam maiores intera\u00e7\u00f5es, novas conex\u00f5es humanas, outras perspectivas. A experi\u00eancia recente da covid deu sinais muito claros: \u00e9 dif\u00edcil segurar toneladas de testosterona em longos programas de quarentena. As cidades s\u00e3o mais competitivas quanto mais sejam capazes de atrair os melhores talentos, isso j\u00e1 foi dito. Mas, se tiverem um olhar no futuro, ser\u00e3o melhores ainda aquelas que se prepararem para receber os mais jovens, oferecendo-lhes n\u00e3o apenas infraestruturas padr\u00e3o Washington ou Bras\u00edlia, mas cultura, sustentabilidade, conhecimento, toler\u00e2ncia com a diferen\u00e7a. Em resumo, novas e diferentes oportunidades de cria\u00e7\u00e3o de coisas e neg\u00f3cios e a possibilidade de terem uma vida mais vibrante.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-widget-container\">&#8220;Autor: Francisco Saboya &#8211; Presidente da Anprotec | Fonte: <a href=\"https:\/\/canalmynews.com.br\/francisco-saboya\/sex-wil-save-the-city\/\">Canal My News<\/a>&#8220;<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As cidades est\u00e3o crescendo de forma muito r\u00e1pida, numa escala<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":38627,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[3],"tags":[],"calendar":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38626"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38626"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38626\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38628,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38626\/revisions\/38628"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38627"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38626"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38626"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38626"},{"taxonomy":"calendar","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/calendar?post=38626"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}