{"id":38503,"date":"2021-09-23T09:26:35","date_gmt":"2021-09-23T12:26:35","guid":{"rendered":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/?p=38503"},"modified":"2021-09-23T09:26:35","modified_gmt":"2021-09-23T12:26:35","slug":"falta-o-povo-na-equacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/2021\/09\/falta-o-povo-na-equacao\/","title":{"rendered":"Falta o povo na equa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-85770c3 elementor-widget elementor-widget-theme-post-excerpt\" data-id=\"85770c3\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><em><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-38504 alignleft\" src=\"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/mynews.jpg\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"235\" srcset=\"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/mynews.jpg 370w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/mynews-300x191.jpg 300w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/mynews-230x146.jpg 230w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/mynews-50x32.jpg 50w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/mynews-118x75.jpg 118w\" sizes=\"(max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/>O povo est\u00e1 no discurso, mas o fato \u00e9 que \u00e9 usado pelas elites para viabilizar seus objetivos. Sem avan\u00e7ar no m\u00e9rito do que seja povo e elite, revolu\u00e7\u00f5es mesmo, com o povo e para o povo, nunca houve<\/em><\/div>\n<div>\n<p>Cientistas sociais n\u00e3o se cansam de dizer que um dos males do Brasil \u00e9 que as mudan\u00e7as s\u00e3o feitas a partir de arranjos entre as elites. O racioc\u00ednio vale para as grandes mudan\u00e7as, como a proclama\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica, e tamb\u00e9m para as pequenas, como a decis\u00e3o de liberar p\u00fablico nos est\u00e1dios de futebol em plena pandemia. O povo est\u00e1 no discurso, mas o fato \u00e9 que ele \u00e9 usado por essas elites para viabilizar seus objetivos. Sem avan\u00e7ar no m\u00e9rito do que seja povo e elite, revolu\u00e7\u00f5es mesmo, com o povo e para o povo, nunca houve. Um pa\u00eds que faz a aboli\u00e7\u00e3o tardiamente e, ao implement\u00e1-la, indeniza senhores de escravos, ao inv\u00e9s dos escravizados, j\u00e1 anuncia a que veio, colhendo desigualdade e injusti\u00e7a l\u00e1 na frente. Somos assim por escolha pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Tr\u00eas epis\u00f3dios recentes dessa grande novela chamada Precip\u00edcio Brasil ilustram o papel secund\u00e1rio do povo na equa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica oficial. O primeiro \u00e9 a conta de luz. Depois de ler umas vinte mat\u00e9rias sobre o assunto, me dei conta de que o problema n\u00e3o \u00e9 o aumento do pre\u00e7o da energia ou mesmo a falta dela e seus impactos na sociedade. \u00c9 o\u00a0<em>equil\u00edbrio do sistema<\/em>. Criamos essa categoria social agora. Mais trabalho para os soci\u00f3logos, cientistas pol\u00edticos e economistas. O racional de uma boa pol\u00edtica p\u00fablica deveria ser o que fazer para assegurar energia a pre\u00e7os razo\u00e1veis para as fam\u00edlias e para o sistema produtivo, numa perspectiva de longo prazo. Mas n\u00e3o, o que predomina \u00e9 uma completa invers\u00e3o do sentido l\u00f3gico das coisas, com a prioridade estrat\u00e9gica nacional sendo deslocada para o plano da racionalidade econ\u00f4mica do sistema provedor dos servi\u00e7os. O\u00a0<em>sistema<\/em>\u00a0capturou a pol\u00edtica, mais uma vez.<\/p>\n<p>Claro que h\u00e1 um c\u00e1lculo por detr\u00e1s. Nesse c\u00e1lculo, sobra oportunismo eleitoral e mais uma vez falta povo. O que \u00e9 um paradoxo, pois \u00e9 esse mesmo povo que decidir\u00e1, espera-se, o futuro de quem pariu Mateus. Se der errado \u2013 como j\u00e1 deu \u2013 a esperteza se volta para comer o dono. Adiou-se o quanto foi poss\u00edvel a comunica\u00e7\u00e3o para a sociedade da iminente crise h\u00eddrica e suas consequ\u00eancias sobre o consumo e pre\u00e7os. Retardou-se o racionamento, recomendado pelos bons especialistas, e mesmo medidas usuais, como o hor\u00e1rio de ver\u00e3o, foram descartadas para n\u00e3o incomodar o povo. O mais honesto seria o governo assumir que a raz\u00e3o era simplesmente n\u00e3o introduzir mais um vetor negativo na sua j\u00e1 combalida imagem junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Melhor ent\u00e3o jogar pra frente pra ver no que d\u00e1. Deu no que deu: amea\u00e7a real de desabastecimento, aumento de tarifas para preservar o\u00a0<em>equil\u00edbrio do sistema<\/em>\u00a0e popularidade em queda. O benef\u00edcio vai para o sistema, mas a conta sobrou para o povo. De novo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-c3bafd6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"c3bafd6\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p>O segundo epis\u00f3dio diz respeito ao ENEM. Esse mecanismo de aceso ao ensino superior impacta milh\u00f5es de jovens de todas as classes sociais todos os anos. Chegou perto de 9 milh\u00f5es de inscritos em 2014, embora hoje, por raz\u00f5es diversas, mobilize apenas pouco mais de um ter\u00e7o. Democraticamente, devemos chamar esse coletivo diminu\u00eddo de povo. Povo que cada vez mais conta menos nos \u00faltimos tempos em que a gest\u00e3o do exame tem se transformado numa trag\u00e9dia social. O que deveria fluir sem sobressaltos para garantir equil\u00edbrio emocional aos jovens \u00e0s v\u00e9speras do momento mais importante das suas vidas, \u00e9 conduzido de forma atrabili\u00e1ria pelos edurocratas de Bras\u00edlia. \u00c9 necess\u00e1rio mesmo judicializar as coisas para garantir direitos b\u00e1sicos. \u00c9 o caso de decis\u00e3o recente do STF restaurando a gratuidade negada pelo ME.<\/p>\n<p>A forma mesquinha como o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o impediu esse benef\u00edcio para aqueles estudantes que, em plena pandemia, faltaram ao exame em 2020, \u00e9 de uma insensibilidade atroz. A explica\u00e7\u00e3o oficial foi \u201c\u00e9 para dar disciplina aos jovens\u201d. Essa pedagogia anacr\u00f4nica, quase uma palmat\u00f3ria moral aplicada no s\u00e9culo 21, serve, na vis\u00e3o do ministro, pra eles aprenderem a n\u00e3o faltar mais. O argumento tosco \u00e9 refor\u00e7ado por um pior ainda: o minist\u00e9rio \u201cjogou dinheiro na lata do lixo\u201d. \u00c9 quase, fazendo aqui um racioc\u00ednio invertido, como ouvir um comandante do corpo de bombeiros lamentar o desperd\u00edcio de dinheiro com viaturas, equipamentos e pessoal pois n\u00e3o houve um inc\u00eandio sequer.<\/p>\n<p>O terceiro epis\u00f3dio do Precip\u00edcio Brasil \u00e9 o mais escancarado: trata-se da gest\u00e3o da pandemia pelo governo federal e seu car\u00e1ter anti-povo, materializado na pol\u00edtica epidemiol\u00f3gica centrada na imunidade de rebanho. Talvez devessem morrer 2,5 a 3 milh\u00f5es de pessoas para provar que o capit\u00e3o estava certo. Mas disso est\u00e1 cuidando a CPI da Covid. Com um adendo de \u00faltima hora: a se confirmarem as den\u00fancias a respeito do uso de pessoas como cobaias para experimentos n\u00e3o-cient\u00edficos destinados a impulsionar o uso do kit Covid e outras terapias desautorizadas oficialmente e em escala global \u2013 articula\u00e7\u00e3o que envolveria a Prevent S\u00eanior e o minist\u00e9rio-sombra da sa\u00fade \u2013 estar\u00edamos diante de algo at\u00e9 aqui impens\u00e1vel mesmo para os padr\u00f5es morais da pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p>\u00c9 aguardar os pr\u00f3ximos cap\u00edtulos para ver se o povo ter\u00e1 alguma chance.<\/p>\n<p>Autor: Francisco Saboya &#8211; Presidente da Anprotec<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/canalmynews.com.br\/francisco-saboya\/falta-o-povo-na-equacao\/\">Canal MyNews<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O povo est\u00e1 no discurso, mas o fato \u00e9 que<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":38504,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[3],"tags":[],"calendar":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38503"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38503"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38503\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38505,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38503\/revisions\/38505"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38504"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38503"},{"taxonomy":"calendar","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/calendar?post=38503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}