{"id":38165,"date":"2021-08-24T15:13:56","date_gmt":"2021-08-24T18:13:56","guid":{"rendered":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/?p=38165"},"modified":"2021-08-24T15:14:20","modified_gmt":"2021-08-24T18:14:20","slug":"o-trabalho-hibrido-e-o-que-google-tem-a-desensinar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/2021\/08\/o-trabalho-hibrido-e-o-que-google-tem-a-desensinar\/","title":{"rendered":"O trabalho h\u00edbrido e o que Google tem a desensinar"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-85770c3 elementor-widget elementor-widget-theme-post-excerpt\" data-id=\"85770c3\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p><em><em><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-38166 alignleft\" src=\"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Saboya.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"235\" srcset=\"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Saboya.png 370w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Saboya-300x191.png 300w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Saboya-230x146.png 230w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Saboya-50x32.png 50w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Saboya-118x75.png 118w\" sizes=\"(max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><\/em>Ao reduzir sal\u00e1rios, Google ressuscita o velho conflito entre capital e trabalho do s\u00e9culo 19 nas empresas de servi\u00e7os tecnologicamente avan\u00e7ados<\/em><\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre a reconfigura\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os de trabalho, sejam casas ou escrit\u00f3rios, segue acesa. O\u00a0tema foi assunto da coluna passada, e volta aqui por demanda de uns poucos leitores e pela import\u00e2ncia do assunto nesse momento de\u00a0retomada econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>O movimento das big techs h\u00e1 tempos tornou-se balisa para a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho em empresas intensivas em tecnologia. De pufes coloridos a mesas de bilhar em ambientes grafitados, tudo ali parece mais leve e sedutor para o trabalhador do conhecimento. Foram pioneiras na ado\u00e7\u00e3o do home office no in\u00edcio da pandemia, e agora surpreendem pela maneira crua como v\u00eam articulando o retorno \u00e0s atividades presenciais.\u00a0Google\u00a0\u00e0 frente, causou surpresa a proposta de redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios para quem morasse em lugares cujo custo de vida m\u00e9dio fosse mais baixo. A escolha do local de trabalho (se escrit\u00f3rio ou domic\u00edlio) \u00e9\u00a0democraticamente\u00a0compartilhada, mas haveria uma tabela de parametriza\u00e7\u00e3o dos novos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>A reconhecida capacidade de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e criatividade na gest\u00e3o de neg\u00f3cios das big techs s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 maior do que sua ambi\u00e7\u00e3o. Dominar o mundo parece tudo, mas \u00e9 apenas uma das facetas do prop\u00f3sito corporativo. A disputa narc\u00edsica pela condi\u00e7\u00e3o de ser \u2018A\u2019 maior em qualquer coisa leva essas empresas a situa\u00e7\u00f5es bisonhas. Desde cenas infantilizadas de dois dos maiores executivos da atualidade disputando pra ver quem brinca primeiro de gravidade zero, at\u00e9 propostas indecentes de redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios para empregados em home office.<\/p>\n<p>Neste \u00faltimo caso, n\u00e3o tem nada de infantilidade (o outro tamb\u00e9m n\u00e3o, por tr\u00e1s; embora pare\u00e7a, pela frente). Trata-se da busca natural pela maximiza\u00e7\u00e3o dos\u00a0resultados financeiros\u00a0dos neg\u00f3cios. \u00c9 preciso estar ali nos top 10 da Forbes a qualquer custo. Faz parte da narrativa que suporta a constru\u00e7\u00e3o de imagin\u00e1rios de poder e sucesso na sociedade digital. (A prop\u00f3sito, o formato f\u00e1lico do New Shepherd de Bezzos foi mais comentado do que as propriedades aerodin\u00e2micas do foguete em si).<\/p>\n<p>Aparentemente, h\u00e1 um paradoxo nas estrat\u00e9gias de gest\u00e3o de pessoas em empresas como Google. Enquanto expoentes da chamada nova economia, essas empresas s\u00e3o intensivas em capital humano qualificado \u2013 por defini\u00e7\u00e3o mais criativo, questionador, aut\u00f4nomo e escasso. E, em tese, deveriam estar mais atentas aos riscos de fuga de talentos e \u00e0s dificuldades de forma\u00e7\u00e3o de novas equipes como consequ\u00eancia de medidas que n\u00e3o est\u00e3o centradas no bem estar do trabalhador.<\/p>\n<p>\u00c9 fato que as grandes companhias lutam continuamente contra o engessamento e burocratiza\u00e7\u00e3o de seus mecanismos de gest\u00e3o e processos decis\u00f3rios. Mas nem sempre \u2013 ou quase nunca \u2013 conseguem. Uma vez no topo, suas estrat\u00e9gias alternam de uma posi\u00e7\u00e3o ofensiva, de lideran\u00e7a tecnol\u00f3gica, para uma postura defensiva, de manuten\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o de mercado. Isso ocorre trocando-se o risco da experimenta\u00e7\u00e3o do novo pela seguran\u00e7a dos processos j\u00e1 estabilizados.<\/p>\n<p>A intensidade da inova\u00e7\u00e3o, nesses casos, \u00e9 administrada na medida justa do necess\u00e1rio para a garantia do desempenho superior. Nesse momento, as empresas passam a ser centradas nos resultados, e nisso Google n\u00e3o \u00e9 diferente de outras da\u00a0economia da informa\u00e7\u00e3o,\u00a0onde a disputa pela manuten\u00e7\u00e3o de\u00a0padr\u00f5es vencedores\u00a0empurra o capitalismo de volta para modelos monopolistas de organiza\u00e7\u00e3o de mercados, deslocando a concorr\u00eancia cada vez mais rala para o plano promissor das startups, que, exce\u00e7\u00f5es \u00e0 parte, logo ser\u00e3o adquiridas pelos incumbentes supercapitalizados.<\/p>\n<p>A despeito da decis\u00e3o que ao final venha a tomar, a postura de Google traz onboard uma quest\u00e3o maior, que remete \u00e0 ideia original da coluna: a op\u00e7\u00e3o pelo trabalho h\u00edbrido. Essa possibilidade est\u00e1 presente na nova pol\u00edtica da empresa. Apenas prop\u00f5e uma precifica\u00e7\u00e3o diferente, inusitada, para o valor da for\u00e7a de trabalho. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, Google ressuscita o velho conflito entre capital e trabalho do s\u00e9culo 19 nas empresas de servi\u00e7os tecnologicamente avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Ao reduzir sal\u00e1rios, Google n\u00e3o apenas n\u00e3o disfar\u00e7a esse prop\u00f3sito, como escancara o interesse de se apropriar de parte extra do esfor\u00e7o produtivo dos empregados (transferindo para eles o custo da estrutura\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do ambiente de trabalho), ao mesmo tempo em que tamb\u00e9m se apropria integralmente da redu\u00e7\u00e3o dos seus pr\u00f3prios custos. (Antigamente isso tinha nome: extra\u00e7\u00e3o bruta de mais-valia. Mas deixa pra l\u00e1\u2026).<\/p>\n<p>A aprecia\u00e7\u00e3o do caso Google aqui nesse pequeno espa\u00e7o \u00e9 menos por ele em si e suas consequ\u00eancias para o trabalho no universo das empresas de tecnologia do que pelos impactos nos ambientes f\u00edsicos de cria\u00e7\u00e3o de riqueza. O escrit\u00f3rio est\u00e1 para a economia de servi\u00e7os assim como a f\u00e1brica para a economia industrial cl\u00e1ssica. A\u00ed veio a pandemia, o uso intensivo de plataformas de cloud meeting, experi\u00eancias de trabalho remoto em escala, novas m\u00e9tricas de efici\u00eancia produtiva e, sobretudo, uma nova consci\u00eancia quanto a poss\u00edveis arranjos alternativos de trabalho.<\/p>\n<p>Qual seria o novo\u00a0locus\u00a0de trabalho da economia de servi\u00e7os modernos no mundo p\u00f3s-pandemia? Vamos ter que voltar ao tema na pr\u00f3xima coluna.<\/p>\n<p>Autor: Francisco Saboya &#8211; Presidente da Anprotec<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/canalmynews.com.br\/francisco-saboya\/o-trabalho-hibrido-e-o-que-google-tem-a-desensinar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Canal MyNews<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-c3bafd6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"c3bafd6\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao reduzir sal\u00e1rios, Google ressuscita o velho conflito entre capital<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":38166,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[3],"tags":[],"calendar":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38165"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38165"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38165\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38170,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38165\/revisions\/38170"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38166"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38165"},{"taxonomy":"calendar","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/calendar?post=38165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}