{"id":37852,"date":"2021-07-29T09:54:55","date_gmt":"2021-07-29T12:54:55","guid":{"rendered":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/?p=37852"},"modified":"2025-02-25T15:55:40","modified_gmt":"2025-02-25T18:55:40","slug":"reflexos-da-pandemia-no-empreendedorismo-de-baixo-impacto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/2021\/07\/reflexos-da-pandemia-no-empreendedorismo-de-baixo-impacto\/","title":{"rendered":"Reflexos da pandemia no empreendedorismo de baixo impacto"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-85770c3 elementor-widget elementor-widget-theme-post-excerpt\" data-id=\"85770c3\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><em><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-37853 alignleft\" src=\"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/sebrae-418x235-1.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"235\" srcset=\"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/sebrae-418x235-1.png 370w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/sebrae-418x235-1-300x191.png 300w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/sebrae-418x235-1-230x146.png 230w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/sebrae-418x235-1-50x32.png 50w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/sebrae-418x235-1-118x75.png 118w\" sizes=\"(max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/>Um dos reflexos da pandemia do novo coronav\u00edrus no Brasil tem se dado no empreendedorismo de baixo impacto<\/em><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-c3bafd6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"c3bafd6\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p>Dizia um amigo que, no torniquete, os n\u00fameros confessam qualquer coisa. Estat\u00edsticas requerem cautela no trato. Deveriam provocar mais reflex\u00f5es do que afirma\u00e7\u00f5es conclusivas. O Brasil sempre se orgulhou de ser uma pot\u00eancia do empreendedorismo. Em certos momentos, chegou a ter a maior taxa de empreendedorismo do mundo. Hoje anda em 7\u00ba lugar.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 calculado como a propor\u00e7\u00e3o de empreendedores, formais ou informais, sobre a popula\u00e7\u00e3o adulta na faixa de 18 a 64 anos que\u00a0<strong>i.<\/strong>\u00a0ou t\u00eam um neg\u00f3cio estabelecido (em opera\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais de 3,5 anos); ou\u00a0<strong>ii.<\/strong>\u00a0t\u00eam um neg\u00f3cio inicial, subdividido aqui em duas categorias: os nascentes (em processo de gesta\u00e7\u00e3o ou criados h\u00e1 no m\u00e1ximo 3 meses); e os novos (at\u00e9 3,5 anos). Em n\u00fameros absolutos, s\u00e3o 44 milh\u00f5es de empreendedores no pa\u00eds. Em termos relativos, 31,6%.<\/p>\n<p>A fonte usada \u00e9 a pesquisa GEM \u2013 Global Entrepreneurship Monitor. \u00c9 um trabalho realizado h\u00e1 21 anos em mais de uma centena de pa\u00edses. Coisa s\u00e9ria, conduzida no Brasil pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sebrae.com.br\/sites\/PortalSebrae\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.sebrae.com.br\/sites\/PortalSebrae\">SEBRAE<\/a>\u00a0e pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/ibqp.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/ibqp.org.br\/\">IBQP \u2013 Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade<\/a>. A divulga\u00e7\u00e3o recente passou meio em branco pelos analistas. Mas \u00e9 bom olhar alguns insights. Apenas para contextualizar, a pesquisa foi realizada no 2\u2070 semestre do ano passado, o que d\u00e1 autoridade aos n\u00fameros para falar sobre o que se passava no auge da 1\u00aa onda da pandemia.<\/p>\n<p>No geral, a taxa total de empreendedorismo caiu cerca de 20% em rela\u00e7\u00e3o a 2019. N\u00e3o \u00e9 um movimento usual, especialmente em tempos de crise. Mas a retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica na pandemia foi particularmente impiedosa com os neg\u00f3cios estabelecidos h\u00e1 mais de 3,5 anos, eliminando cerca de metade deles. No outro lado da balan\u00e7a, cresceu enormemente aquela categoria de empreendimentos iniciais. Podemos afirmar que esse segmento segurou o tombo.<\/p>\n<p>Hoje, eles representam 74% do total de empreendimentos do pa\u00eds, o maior \u00edndice de toda a s\u00e9rie hist\u00f3rica do GEM e o dobro do que se observa em \u00e9pocas de PIB em alta. A quest\u00e3o \u00e9 que, dentro dessa categoria, mais da metade s\u00e3o os chamados empreendedores por necessidade. (Ali\u00e1s, a principal raz\u00e3o para se empreender no Brasil \u00e9 a falta de emprego, citada por 82% dos empreendedores em resposta m\u00faltipla).<\/p>\n<p>Na pressa de cacarejar alguns \u00edndices, como a j\u00e1 falada taxa total de empreendedorismo, quase nunca nos damos conta de que o tipo de empreendedorismo brasileiro \u00e9 no geral de baixo impacto econ\u00f4mico. N\u00e3o inova, n\u00e3o exporta, na sua maioria n\u00e3o gera empregos, funcionando basicamente como alternativa de ocupa\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria para quem empreende. Nessa linha de racioc\u00ednio, podemos considerar que o povo brasileiro empreende acima de tudo uma grande pol\u00edtica social, talvez a maior d pa\u00eds, muito maior, por exemplo, do que o Bolsa Fam\u00edlia, que alcan\u00e7a 14 milh\u00f5es de lares.<\/p>\n<h4>Empreendendo por necessidade<\/h4>\n<p>Empurrados para o mercado por falta de op\u00e7\u00e3o no pa\u00eds do desemprego a 15% \u2013 e n\u00e3o por voca\u00e7\u00e3o ou vontade \u2013 milh\u00f5es de pessoas abrem neg\u00f3cios sem nenhuma ou muito pouca qualifica\u00e7\u00e3o para ir al\u00e9m da autossustenta\u00e7\u00e3o. Esse esfor\u00e7o n\u00e3o \u00e9 desprez\u00edvel, em especial porque funciona como um amortecedor para as tens\u00f5es sociais. Mas as chances de acerto do ponto de vista econ\u00f4mico s\u00e3o m\u00ednimas. A resultante \u00e9 a realimenta\u00e7\u00e3o do ciclo de empobrecimento e a amplia\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais num mundo em que novas habilidades, inclusive empreendedoras, s\u00e3o requeridas a cada instante, impulsionadas pela revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica em curso. Esse \u00e9 o significado real do empreendedorismo por necessidade.<\/p>\n<p>Historicamente, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta entre crise econ\u00f4mica e crescimento desse tipo de empreendedorismo. Mas tr\u00eas outras caracter\u00edsticas chamam aten\u00e7\u00e3o nesse cen\u00e1rio de pandemia. A primeira \u00e9 um certo envelhecimento do contingente de novos empreendedores. Possivelmente tem rela\u00e7\u00e3o com a j\u00e1 mencionada for\u00e7a da destrui\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios j\u00e1 estabelecidos, onde predominam pessoas mais maduras. Sem alternativa na crise, mudam de status, e v\u00e3o se somar \u00e0queles que come\u00e7am do zero. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, a participa\u00e7\u00e3o relativa dos empreendedores acima de 45 anos vai de 21% para 27,1%, enquanto a faixa de 18 at\u00e9 34 anos decresce de 57% para 47,2%, alterando a propor\u00e7\u00e3o, em n\u00fameros redondos, de 1:3 para 1:2 entre os dois grupos et\u00e1rios.<\/p>\n<h4>Desigualdade de g\u00eanero<\/h4>\n<p>Outra mudan\u00e7a de perfil diz respeito a g\u00eanero. Quando se analisa a s\u00e9rie de 20 anos de pesquisas, n\u00e3o se identifica um padr\u00e3o de comportamento dentro do segmento de neg\u00f3cios iniciais. A participa\u00e7\u00e3o de mulheres, tanto cai, como sobe, em momentos de decl\u00ednio ou de expans\u00e3o, gerando, na m\u00e9dia dos \u00faltimos dez anos, uma divis\u00e3o rigorosamente igualit\u00e1ria. Mas o fato \u00e9 que as mulheres parecem ter sido mais penalizadas pela pandemia. Hoje, mulheres empreendedoras s\u00e3o apenas 45% do total, contra 55% de homens.<\/p>\n<h4>Informalidade, baixa escolaridade e desalento<\/h4>\n<p>Por \u00faltimo, a componente escolaridade. Nesse caso, independentemente da pandemia, vem acontecendo nos \u00faltimos anos uma mudan\u00e7a expressiva no padr\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o daqueles que iniciam novos neg\u00f3cios. O fundamental incompleto, que por anos representava em torno de 25% do total, agora \u00e9 inferior a 10%. Por outro lado, a escolaridade superior salta de 6%, em 2017, para 24%, em 2020.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas interroga\u00e7\u00f5es a serem respondidas com o intuito de conhecer esse novo perfil do empreendedorismo brasileiro. A pergunta central \u00e9: para onde est\u00e3o indo os jovens, mulheres e pessoas de baixa escolaridade? Ser\u00e3o eles maioria no segmento de desalentados? Estar\u00e3o acomodados com o aux\u00edlio emergencial e outros programas sociais de governo, como afirma o andar de cima? Est\u00e3o alocados em ocupa\u00e7\u00f5es informais, secund\u00e1rias e mesmo dispens\u00e1veis, t\u00e3o \u00e0 margem do trabalho decente que sequer s\u00e3o enxergados por estudos como GEM?<\/p>\n<p>Autor: Francisco Saboya &#8211; Presidente da Anprotec<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/canalmynews.com.br\/francisco-saboya\/reflexos-pandemia-empreendedorismo\/\">Canal MyNews<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos reflexos da pandemia do novo coronav\u00edrus no Brasil<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":37853,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[3,414],"tags":[],"calendar":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37852"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37852"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37852\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37854,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37852\/revisions\/37854"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37852"},{"taxonomy":"calendar","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/calendar?post=37852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}