{"id":36473,"date":"2021-03-17T13:48:24","date_gmt":"2021-03-17T16:48:24","guid":{"rendered":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/?p=36473"},"modified":"2025-02-28T13:58:07","modified_gmt":"2025-02-28T16:58:07","slug":"o-futuro-que-nunca-chega","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/2021\/03\/o-futuro-que-nunca-chega\/","title":{"rendered":"O Futuro que Nunca Chega"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-85770c3 elementor-widget elementor-widget-theme-post-excerpt\" data-id=\"85770c3\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">80 anos depois da publica\u00e7\u00e3o do livro &#8220;Brasil, um pa\u00eds do futuro&#8221;, a na\u00e7\u00e3o brasileira ainda vive de passado<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-c3bafd6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"c3bafd6\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p>Chega a dar uma ang\u00fastia lembrar que, 80 anos depois de\u00a0<em>Brasil, Pa\u00eds do Futuro<\/em>, a leitura de Stefan Zweig, escritor austr\u00edaco que escolheu o Brasil para se suicidar nos anos 40 do s\u00e9culo passado, ainda provoca inc\u00f4modos e reflex\u00f5es. J\u00e1 n\u00e3o era pro pa\u00eds ter chegado l\u00e1? O Brasil tem uma caracter\u00edstica singular, e n\u00e3o \u00e9 apenas seu povo pac\u00edfico, culturalmente harm\u00f4nico, como celebrava o escritor em sua leitura otimista que contrastava com o cen\u00e1rio infernal da Europa em guerra. \u00c9 a incapacidade de lidar com o futuro de forma objetiva, meio que fugindo dele ou, na melhor das hip\u00f3teses, adiando o encontro. \u00c9 um pa\u00eds saudoso de um passado que nem \u00e9 l\u00e1 essa Brastemp. N\u00e3o fossem Pel\u00e9 e Tom Jobim, e a gente n\u00e3o teria muito o que contar.<\/p>\n<p>O futuro \u00e9 formado de coisas concretas, mas nasce de sonhos e imagina\u00e7\u00e3o. E a ci\u00eancia, cultura e meio-ambiente s\u00e3o os principais vetores dessa jornada. Fazemos a melhor m\u00fasica, mas ningu\u00e9m fora daqui ouve. Basta checar as estat\u00edsticas de economia criativa, onde as exporta\u00e7\u00f5es de cultura s\u00e3o um tra\u00e7o. Temos as maiores matas, mas parece que temos raiva delas, a ponto de destru\u00ed-las com m\u00e9todo. A generosidade do povo, retribu\u00edmos com pol\u00edticas p\u00fablicas que aprofundam a pobreza e as desigualdades sociais.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\">\n<div id=\"attachment_8279\" style=\"width: 414px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8279\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"lazyloaded wp-image-8279\" src=\"https:\/\/canalmynews.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Arte-do-livro-Brasil-um-pais-do-futuro-1941-de-Stefan-Zweig.-Foto_Reproducao-com-alteracoes-Redes-Sociais..png.webp\" alt=\"Arte do livro 'Brasil, um pa\u00eds do futuro' (1941), de Stefan Zweig.\" width=\"404\" height=\"227\" data-ll-status=\"loaded\" \/><p id=\"caption-attachment-8279\" class=\"wp-caption-text\">Arte do livro \u2018Brasil, um pa\u00eds do futuro\u2019 (1941), de Stefan Zweig. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o com altera\u00e7\u00f5es (Redes Sociais).<\/p><\/div><\/figure>\n<p>Fazendo da neglig\u00eancia uma pol\u00edtica de estado, vamos nos distanciando do rol das na\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3speras. O Brasil corr\u00f3i o seu futuro numa esp\u00e9cie de autossabotagem permanente. J\u00e1 fomos a 8\u00aa economia do mundo, somos a 10\u00aa e tudo indica que seremos ao fim dessa pandemia a 12\u00aa. Nada parece segurar o pa\u00eds rumo ao s\u00e9culo 20, qui\u00e7\u00e1 19, onde \u00e9ramos uma gigantesca e buc\u00f3lica fazenda. E n\u00e3o se trata aqui de exagero de ret\u00f3rica, mas de fato. Pois o presidente do IPEA, o think tank\u00a0 oficial do pa\u00eds, que deve, atrav\u00e9s de estudos e pesquisas econ\u00f4micas aplicadas, subsidiar a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de desenvolvimento de longo prazo, recentemente nos brindou com a perspectiva de limitar o pa\u00eds \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de agrocommodities e min\u00e9rios. E n\u00e3o foi demitido.<\/p>\n<p>Mas tudo poderia ser diferente, porque, apesar de tudo e ao nosso modo, conseguimos desenvolver uma forte capacidade cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica. Para ficar s\u00f3 num n\u00famero, s\u00e3o 377 ICTs espalhadas pelo pa\u00eds, muitas dentro da universidade, outro tanto fora dela. Institui\u00e7\u00f5es assim, melhor aproveitadas, mobilizadas pelo setor produtivo e governo para inovar no enfrentamento dos desafios da sociedade, fazem a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas a realidade \u00e9 desfavor\u00e1vel, e vem piorando. Somos o 14\u00ba produtor de conhecimento cient\u00edfico; ao mesmo tempo, ostentamos p\u00e9ssimos indicadores de inova\u00e7\u00e3o, produtividade e competitividade global, este \u00faltimo l\u00e1 pela casa da 100\u00aa posi\u00e7\u00e3o. Esse hiato \u00e9 mortal, e encurtar a dist\u00e2ncia entre o mundo da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e o da produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica segue sendo a prioridade zero para a constru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds do futuro. Isso requer vis\u00e3o de longo prazo. Nas vezes em que pensou seriamente nisso, o Brasil gerou uma EMBRAER, EMBRAPA e PETROBRAS, para ficar nestes tr\u00eas exemplos de um pa\u00eds que deu certo.<\/p>\n<p>Como o longo prazo mora no futuro, e a inova\u00e7\u00e3o \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o permanente de futuros, n\u00e3o haver\u00e1 sa\u00edda para o pa\u00eds fora da\u00ed. Mas n\u00e3o um futuro difuso, qualquer um que se apresente. Mas aquele constru\u00eddo conscientemente, dia-a-dia, 24 horas por dia. Como ensinam os profissionais dessa \u00e1rea, o futuro manda sinais, e a gente tem que aprender seus c\u00f3digos, falar a sua l\u00edngua, para poder incorporar nas estrat\u00e9gias presentes por\u00e7\u00f5es generosas do que ainda est\u00e1 por acontecer, deixando o passado de lado. Em tempos de intensos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, de mudan\u00e7as de paradigmas de produ\u00e7\u00e3o e mesmo de comportamento social, o passado virou uma roupa que j\u00e1 n\u00e3o serve mais, como lembrava h\u00e1 d\u00e9cadas o genial Belchior. \u00c9 um livro pra ser estudado, mas tem outra tarefa mais importante, que \u00e9 escrever os pr\u00f3ximos cap\u00edtulos.<\/p>\n<p>[A prop\u00f3sito, o Congresso Nacional est\u00e1 na imin\u00eancia de votar pela aceita\u00e7\u00e3o ou derrubada dos vetos do presidente da Rep\u00fablica \u00e0 LC 177. Esta Lei, aprovada de forma quase un\u00e2nime, incluindo a\u00ed a base do pr\u00f3prio governo, concedia autonomia financeira e cont\u00e1bil ao FNDCT \u2013 principal instrumento de financiamento da ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o do pa\u00eds -, proibia o contingenciamento de seu or\u00e7amento e vedava a utiliza\u00e7\u00e3o do saldo n\u00e3o gasto no exerc\u00edcio para pagamento da d\u00edvida p\u00fablica. O poder executivo vetou esses dispositivos. Quem quiser apoiar essa causa, vai aqui\u00a0<a href=\"http:\/\/chng.it\/KxqHmymFMF\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">http:\/\/chng.it\/KxqHmymFMF<\/a>\u00a0].<\/p>\n<p>Autor: Francisco Saboya &#8211; Presidente da Anprotec<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/canalmynews.com.br\/francisco-saboya\/o-futuro-que-nunca-chega\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">My News<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>80 anos depois da publica\u00e7\u00e3o do livro &#8220;Brasil, um pa\u00eds<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":36474,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[3,414],"tags":[],"calendar":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36473"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36473"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36473\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36475,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36473\/revisions\/36475"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36474"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36473"},{"taxonomy":"calendar","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/calendar?post=36473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}