{"id":36343,"date":"2021-03-02T17:22:08","date_gmt":"2021-03-02T20:22:08","guid":{"rendered":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/?p=36343"},"modified":"2025-02-28T14:02:30","modified_gmt":"2025-02-28T17:02:30","slug":"ambientes-de-inovacao-e-o-declinio-das-cidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/2021\/03\/ambientes-de-inovacao-e-o-declinio-das-cidades\/","title":{"rendered":"Ambientes de inova\u00e7\u00e3o e o decl\u00ednio das cidades"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-f6767ae elementor-widget elementor-widget-theme-post-title elementor-page-title elementor-widget-heading\" data-id=\"f6767ae\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\"><em><span style=\"font-size: 14px\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-36344\" src=\"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/SENSEDIA-cidades-inteligentes-600-co\u0301pia.jpg\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"235\" srcset=\"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/SENSEDIA-cidades-inteligentes-600-co\u0301pia.jpg 370w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/SENSEDIA-cidades-inteligentes-600-co\u0301pia-300x191.jpg 300w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/SENSEDIA-cidades-inteligentes-600-co\u0301pia-230x146.jpg 230w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/SENSEDIA-cidades-inteligentes-600-co\u0301pia-50x32.jpg 50w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/SENSEDIA-cidades-inteligentes-600-co\u0301pia-118x75.jpg 118w\" sizes=\"(max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/>As cidades hoje t\u00eam que ser mais competitivas segundo os par\u00e2metros da sociedade do conhecimento. Para tal, precisam ser atrativas para pessoas de fora e para capitais financeiros de risco conectados com a nova economia<\/span><\/em><\/p>\n<p>Um dos efeitos colaterais da pandemia sobre os neg\u00f3cios da economia digital \u00e9 a hipermobilidade do capital humano. Para empresas e lugares mais fragilizados, isso tem outro nome: fuga de c\u00e9rebros. Mais do que um problema restrito apenas aos neg\u00f3cios com reduzida capacidade de reten\u00e7\u00e3o de seus melhores talentos, o fen\u00f4meno fragiliza as cidades. Principalmente aquelas em est\u00e1gio intermedi\u00e1rio de desenvolvimento, que se caracterizam, de um lado, por possu\u00edrem boa base de forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e, de outro, reduzida demanda por capital humano criativo devido ao baixo dinamismo e tradicionalismo de seu tecido produtivo.<\/p>\n<p>\u00c9 como se essas cidades fossem involuntariamente convertidas em plataformas de lan\u00e7amento de talentos para outros lugares, beneficiando-se pouco ou quase nada do potencial de gera\u00e7\u00e3o de riqueza desse ativo na nova economia. Elas arcam com o \u00f4nus da forma\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o usufruem de nenhum b\u00f4nus da mesma. E pior: nessa segunda onda do brain drain, o c\u00e9rebro vai e o corpo fica, restando \u00e0s cidades assistirem impotentes a seu decl\u00ednio tendo a solu\u00e7\u00e3o literalmente \u00e0 m\u00e3o. Esse \u00e9 um paradoxo duro de roer.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 recente, e seu enfrentamento h\u00e1 d\u00e9cadas passa pela cria\u00e7\u00e3o de parques tecnol\u00f3gicos e mecanismos promotores de novos neg\u00f3cios inovadores, como aceleradoras, incubadoras, espa\u00e7os de coworking, maker spaces, entre outros. Estes ecossistemas de inova\u00e7\u00e3o s\u00e3o espa\u00e7os de formula\u00e7\u00e3o, articula\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de desenvolvimento de longo prazo para promo\u00e7\u00e3o de novas din\u00e2micas produtivas intensivas em conhecimento e inova\u00e7\u00e3o. Transplantando o conceito para a pr\u00e1tica, s\u00e3o plataformas de lan\u00e7amento de neg\u00f3cios competitivos em escala global, ajudando as cidades a substitu\u00edrem os paradigmas seculares de vantagens locacionais baseadas, por exemplo, em recursos naturais ou posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para fins de log\u00edstica ou defesa militar.<\/p>\n<p>As cidades hoje t\u00eam que ser mais competitivas segundo os par\u00e2metros da sociedade do conhecimento. Para tal, precisam ser atrativas para pessoas de fora e para capitais financeiros de risco conectados com a nova economia. Mais eficientes para a popula\u00e7\u00e3o, com melhores servi\u00e7os e infraestruturas urbanas e, como consequ\u00eancia, mais capazes de reter talentos criativos. Mais justas socialmente, mais inclusivas, mais participativas, mais democr\u00e1ticas. E, naturalmente, mais amig\u00e1veis para os neg\u00f3cios inovadores. Como a dispers\u00e3o de fatores n\u00e3o ajuda nesse esfor\u00e7o, os ecossistemas de inova\u00e7\u00e3o tornaram-se o ponto focal dessa estrat\u00e9gia devido a sua capacidade singular de concentrar ativos cr\u00edticos como infraestruturas e servi\u00e7os tecnol\u00f3gicos de alto valor agregado, gerar m\u00faltiplas intera\u00e7\u00f5es entre pessoas e empresas, estimular fluxos de conhecimento, fortalecer v\u00ednculos de coopera\u00e7\u00e3o e sinergia para desenvolvimento de neg\u00f3cios competitivos.<\/p>\n<p>Se tomarmos como verdade que o capital humano \u00e9 o \u00fanico que cria solu\u00e7\u00f5es originais para problemas relevantes, o \u00eaxito de um ambiente de inova\u00e7\u00e3o repousa essencialmente na sua capacidade de gerar, atrair e reter os melhores talentos criativos, sendo todo o resto quase que consequ\u00eancia. Botando o coronav\u00edrus na jogada, a crise sanit\u00e1ria revelou que o isolamento n\u00e3o foi apenas uma imposi\u00e7\u00e3o. Foi uma descoberta: podemos produzir mais e melhor de forma remota para uma quantidade apreci\u00e1vel de atividades. \u00c9 fato que o territ\u00f3rio tangibiliza muito mais do que qualquer inst\u00e2ncia virtual. Mas a realidade tornou-se muito mais h\u00edbrida. Ao mesmo tempo, a cria\u00e7\u00e3o segue sendo um esfor\u00e7o coletivo. Desta maneira, o sentido literal da fixa\u00e7\u00e3o de capital humano ganhou outro significado: pessoas podem trabalhar de qualquer lugar, desde que trabalhem para o seu lugar, em prol da sua cidade: temos ent\u00e3o que reter c\u00e9rebros. Ambientes de inova\u00e7\u00e3o precisam assimilar essa nova realidade e serem reconfigurados para que se mantenham como alavancas do desenvolvimento local.<\/p>\n<p>Qualquer esfor\u00e7o de reconfigura\u00e7\u00e3o deve partir de dois vetores. O primeiro, a necessidade de se intensificarem as intera\u00e7\u00f5es humanas, sem as quais o processo de cria\u00e7\u00e3o de valor por meio do compartilhamento do conhecimento entre talentos perde pot\u00eancia; o segundo, o reconhecimento da impossibilidade de se manter o mesmo padr\u00e3o de trabalho em escrit\u00f3rios de antes, do que resulta um esvaziamento crescente dos espa\u00e7os f\u00edsicos.<\/p>\n<p>Cruzando estes dois vetores, discuss\u00f5es realizadas na ANPROTEC \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores \u2013 v\u00eam sinalizando para duas alternativas n\u00e3o excludentes. Uma trata da convers\u00e3o de espa\u00e7os em co-livings, que s\u00e3o moradias compartilhadas com infraestruturas para trabalho e servi\u00e7os comuns, a serem ocupadas por jovens empreendedores, startups e trabalhadores das empresas desses ambientes de inova\u00e7\u00e3o. A outra ideia consiste na fragmenta\u00e7\u00e3o dos parques tecnol\u00f3gicos e sua rearticula\u00e7\u00e3o em diferentes pontos da cidade, criando o conceito de\u00a0<em>parque em rede<\/em>, cujos n\u00f3s teriam infraestruturas e servi\u00e7os comuns e seriam compartilhados pelos atores que o integram de acordo com sua conveni\u00eancia. As atuais sedes desses parques seriam o n\u00f3 central, o back-bone dos\u00a0<em>parques em rede<\/em>, abrigando a gest\u00e3o e servi\u00e7os de maior complexidade.<\/p>\n<p>Assim, os modelos h\u00edbridos ganhariam outra conota\u00e7\u00e3o, com ganhos para as cidades, empresas e trabalhadores.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As cidades hoje t\u00eam que ser mais competitivas segundo os<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":36344,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[3,414],"tags":[],"calendar":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36343"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36343"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36343\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36345,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36343\/revisions\/36345"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36344"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36343"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36343"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36343"},{"taxonomy":"calendar","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/calendar?post=36343"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}