{"id":35749,"date":"2020-12-15T11:31:32","date_gmt":"2020-12-15T14:31:32","guid":{"rendered":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/?p=35749"},"modified":"2025-02-27T13:22:59","modified_gmt":"2025-02-27T16:22:59","slug":"presidente-da-anprotec-publica-artigo-de-apagao-em-apagao-o-brasil-desce-ribanceira-abaixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/2020\/12\/presidente-da-anprotec-publica-artigo-de-apagao-em-apagao-o-brasil-desce-ribanceira-abaixo\/","title":{"rendered":"Presidente da Anprotec publica artigo &#8220;De apag\u00e3o em apag\u00e3o, o Brasil desce ribanceira abaixo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em>O atraso do Brasil \u00e9 um projeto. S\u00f3 assim podemos explicar o que somos diante do que poder\u00edamos ter sido<\/em><\/p>\n<p><em>Por Francisco Saboya<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_35750\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-35750\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-35750 size-medium\" src=\"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/apagao-brasilia-2016-agenciabrasil-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/apagao-brasilia-2016-agenciabrasil-300x169.jpg 300w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/apagao-brasilia-2016-agenciabrasil-768x432.jpg 768w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/apagao-brasilia-2016-agenciabrasil-260x146.jpg 260w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/apagao-brasilia-2016-agenciabrasil-50x28.jpg 50w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/apagao-brasilia-2016-agenciabrasil-133x75.jpg 133w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/apagao-brasilia-2016-agenciabrasil.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-35750\" class=\"wp-caption-text\">Congresso Nacional, em Bras\u00edlia, durante apag\u00e3o que afetou a Esplanada dos Minist\u00e9rios em junho de 2016. (Foto: Wilson Dias\/Ag\u00eancia Brasil)<\/p><\/div>\n<p>H\u00e1 quase 20 anos o Brasil apagou, faltou luz. Literalmente.\u00a0 Faltou energia para casas, f\u00e1bricas, para o com\u00e9rcio. O PIB cresceu apenas 1,5% em 2001, contra 4,3% no ano anterior. A imprensa se referia a esse epis\u00f3dio como\u00a0<em>apag\u00e3o<\/em>. Palavra f\u00e1cil, que comunicava com clareza o drama nacional. Meses seguidos de racionamento de consumo geraram intimidade com o tema e fizeram o pa\u00eds adotar essa palavra quase como autojustificativa para as coisas que n\u00e3o d\u00e3o certo. Falhou? \u00c9 culpa do apag\u00e3o. Como aquele 7 x1 que tomamos da Alemanha em casa, com tudo iluminado para o mundo apreciar melhor nossa tristeza. Locutores atordoados tentavam justificar o fracasso e, pimba!, foi o apag\u00e3o. Para comentaristas mais sens\u00edveis, foi um bloqueio psicol\u00f3gico diante da press\u00e3o extrema de se ter que ganhar em casa; para a geral, foi falta de vergonha mesmo. Mas esse tipo de apag\u00e3o a gente tira de letra.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil mesmo \u00e9 conviver com o apag\u00e3o da ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o. Porque este, quando combinado com outro apag\u00e3o, o da educa\u00e7\u00e3o, resulta no estreitamento das possibilidades do desenvolvimento nacional, na perpetua\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as sociais e na implos\u00e3o do futuro das novas gera\u00e7\u00f5es. Darcy Ribeiro se dedicou a entender as ra\u00edzes da desigualdade e a crise da educa\u00e7\u00e3o. Conclus\u00e3o: o atraso do Brasil \u00e9 um projeto. S\u00f3 assim podemos explicar o que somos diante do que poder\u00edamos ter sido e entender o paradoxo da pobreza de quase todos em meio \u00e0 abund\u00e2ncia de quase tudo.<\/p>\n<p>Existem certas situa\u00e7\u00f5es que somente se explicam por escolhas deliberadas. Por exemplo: o Brasil \u00e9, ainda, a 10\u00aa economia do mundo e o 15\u00ba produtor mundial de conhecimento em publica\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas. Mas \u00e9 apenas o 54\u00ba produtor de patentes internacionais, o 62\u00ba em inova\u00e7\u00e3o (caiu 20 posi\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos 10 anos, ficando atr\u00e1s inclusive de 5 outros pa\u00edses latino-americanos), e o 80\u00ba em competitividade. Da\u00ed v\u00eam duas li\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 que n\u00e3o conseguimos converter conhecimento em tecnologia produtiva e fonte de gera\u00e7\u00e3o de riqueza e emprego. A segunda \u00e9 que, apesar de tudo, o pa\u00eds segue vivo, esbanjando resili\u00eancia. Mas basta olhar o movimento de pa\u00edses como Coreia do Sul , \u00cdndia e outros para ver que essa nossa condi\u00e7\u00e3o tem dias contados. E em breve seremos a 12\u00aa, 15\u00aa \u2026.<\/p>\n<p>Esse tipo de apag\u00e3o faz com que o d\u00e9ficit da balan\u00e7a comercial de produtos de elevada intensidade tecnol\u00f3gica e mais alto valor agregado venha crescendo sistematicamente. Voltamos a ser um pa\u00eds preponderantemente exportador de commodities. H\u00e1 quem veja ganhos nisso, mas \u00e9 bom lembrar que a soma das exporta\u00e7\u00f5es de soja, min\u00e9rios e petr\u00f3leo \u2013 nossas principais estrelas \u2013 n\u00e3o paga o que importamos de computadores, produtos eletr\u00f4nicos, \u00f3ticos e outros da pauta relevante das economias modernas.<\/p>\n<p>Como chegamos at\u00e9 a\u00ed? \u00c9 que o projeto a que se referia Darcy Ribeiro continua de p\u00e9 e hegem\u00f4nico. Um dos seus pilares \u00e9 o baixo volume de investimentos em C,T&amp;I como propor\u00e7\u00e3o do PIB. Andamos na casa do 1%, muito baixo se comparado com a media de 2% da OCDE e baix\u00edssimo em rela\u00e7\u00e3o a pa\u00edses como Coreia e Israel, que investem por volta de 4%. O or\u00e7amento federal destinado ao MCTI [Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o] para 2021 \u00e9 de cerca de R$ 5,3 bilh\u00f5es, dos quais perto de 90% est\u00e3o contingenciados, restando m\u00edseros R$ 500 milh\u00f5es (contra R$ 3,7 bilh\u00f5es de sete anos atr\u00e1s) para equipar laborat\u00f3rios, formar pesquisadores, apoiar parques tecnol\u00f3gicos, subvencionar inova\u00e7\u00e3o nas empresas etc. O principal instrumento de fomento, o FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico) est\u00e1 igualmente contingenciado, com mais de R$ 25 bilh\u00f5es retidos no Tesouro Nacional para forma\u00e7\u00e3o de super\u00e1vit, num caso escandaloso de desvio de finalidade.<\/p>\n<p>Sem recursos n\u00e3o se perenizam a\u00e7\u00f5es de longo prazo. Ci\u00eancia n\u00e3o combina com imediatismo. Inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o combina com incerteza pol\u00edtica. Desenvolvimento tecnol\u00f3gico rima, mas n\u00e3o combina com terraplanismo ideol\u00f3gico. Se quiser sair do n\u00f3 em que se meteu, o Brasil vai ter que se livrar antes das mentes apagadas que nos governam desde Bras\u00edlia, desde sempre. (ET: se o Congresso Nacional quiser dar uma chance ao pa\u00eds, aprova o PL 135\/2020, que tramita em regime de urg\u00eancia e que descontingencia o FNDCT).<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <a href=\"https:\/\/canalmynews.com.br\/francisco-saboya\/de-apagao-em-apagao-o-brasil-desce-ribanceira-abaixo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Canal My News<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O atraso do Brasil \u00e9 um projeto. 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