{"id":21194,"date":"2017-11-01T08:45:08","date_gmt":"2017-11-01T11:45:08","guid":{"rendered":"http:\/\/anprotec.org.br\/site\/?p=21194"},"modified":"2017-11-01T08:56:07","modified_gmt":"2017-11-01T11:56:07","slug":"confira-entrevista-com-vencedora-do-premio-de-melhor-artigo-completo-da-27a-conferencia-anprotec","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/2017\/11\/confira-entrevista-com-vencedora-do-premio-de-melhor-artigo-completo-da-27a-conferencia-anprotec\/","title":{"rendered":"[:pt]Entrevista com a vencedora do pr\u00eamio de melhor artigo completo da Confer\u00eancia[:]"},"content":{"rendered":"<p>[:pt]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-21073\" src=\"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/ConferenciaPremia\u00e7\u00e3o-001-270x160.jpg\" alt=\"ConferenciaPremia\u00e7\u00e3o-001\" width=\"270\" height=\"160\" srcset=\"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/ConferenciaPremia\u00e7\u00e3o-001-270x160.jpg 270w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/ConferenciaPremia\u00e7\u00e3o-001-300x178.jpg 300w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/ConferenciaPremia\u00e7\u00e3o-001.jpg 495w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/>A\u00a0Incubadora Amazonas Ind\u00edgena Criativa\u00a0(AmIC), vinculada \u00e0 Universidade Federal do Amazonas, foi contemplada com o pr\u00eamio de melhor artigo completo da 27<sup>a<\/sup> Confer\u00eancia Anprotec pelo trabalho \u201cInova\u00e7\u00e3o e sustentabilidade no empreendimento criativo \u2013 Arte da Poranga Nativa\u201d. Durante a Confer\u00eancia, Sandra Helena da Silva, coordenadora da AmIC, concedeu entrevista \u00e0 Anprotec em que destacou a atua\u00e7\u00e3o da Incubadora e falou sobre o trabalho com empreendedores ind\u00edgenas, entre outros t\u00f3picos.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A senhora poderia come\u00e7ar falando um pouco sobre sua trajet\u00f3ria pessoal at\u00e9 chegar \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o da Incubadora Amazonas Ind\u00edgena Criativa (AmIC)?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eu sou Sandra Helena da Silva, eu sou paulista, h\u00e1 oito anos estou na Universidade Federal do Amazonas, no Campus de Parintins. Sou servidora p\u00fablica federal, professora do curso de Servi\u00e7o Social em Parintins e, h\u00e1 dois anos, quando terminei meu doutorado, fui convidada para coordenar uma incubadora denominada Incubadora Amazonas Ind\u00edgena Criativa, que tinha sido criada dois anos antes. Pela minha experi\u00eancia com projetos sociais que eu j\u00e1 desenvolvia naquela regi\u00e3o, principalmente na \u00e1rea rural, me convidaram para essa empreitada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Qual \u00e9 o foco da Incubadora? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essa incubadora surgiu de uma parceria com o Minist\u00e9rio da Cultura, por meio da Secretaria de Economia Criativa, que agora \u00e9 Secretaria de Economia da Cultura e, desde ent\u00e3o, estamos trabalhando com empreendedores da nossa regi\u00e3o. Trabalhamos com empreendedores cujos produtos ou servi\u00e7os tenham como foco a valoriza\u00e7\u00e3o da cultura amaz\u00f4nica. Ent\u00e3o tudo que eles produzem precisa ter uma valoriza\u00e7\u00e3o dessa riqueza, de bio-sociodiversidade, ou da cultura ind\u00edgena, cabocla ou urbana, como \u00e9 que se vive no Amazonas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando um turista ou cliente vai comprar um determinado produto, ao olhar aquele produto, ele tem que identificar que aquilo \u00e9 do Amazonas, ent\u00e3o isso, para n\u00f3s, \u00e9 um ponto fundamental para a gente poder assessorar um determinado empreendedor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Quantos empreendimentos est\u00e3o atualmente incubados na AmIC e quais s\u00e3o os principais setores de atua\u00e7\u00e3o das incubadas? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Hoje, n\u00f3s assessoramos sete empreendimentos, que a gente diz que s\u00e3o do setor criativo, cultural, solid\u00e1rio, porque a gente n\u00e3o consegue pensar em um segmento \u00fanico e exclusivo. At\u00e9 porque a criatividade est\u00e1 presente no mundo cultural, assim, como trabalhamos com associa\u00e7\u00f5es e cooperativas, n\u00f3s temos essa perspectiva da solidariedade. Esse vi\u00e9s se faz muito presente nos empreendimentos que n\u00f3s atuamos, al\u00e9m de muitos deles serem familiares. Para boa parte dos nossos empreendedores, a for\u00e7a de trabalho \u00e9 da unidade familiar. Essa \u00e9 uma outra caracter\u00edstica dos empreendedores que a gente tem assessorado nesses dois anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Os empreendedores que chegam at\u00e9 a AmIC t\u00eam perfil universit\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nenhum dos nossos empreendedores s\u00e3o da universidade. N\u00f3s temos um objetivo de criar um coworking s\u00f3 para estudantes, mas n\u00f3s ainda trabalhamos s\u00f3 com empreendedores do setor de artesanato, bioj\u00f3ia, turismo de base comunit\u00e1ria e arte ind\u00edgena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Temos um outro projeto interessante, que n\u00e3o est\u00e1 dentro desse segmento, mas \u00e9 um projeto de impacto socioambiental, um projeto mais solid\u00e1rio. \u00c9 um empreendedor que desenvolveu uma fossa ecol\u00f3gica junto com seus alunos na disciplina de ci\u00eancias, na escola, no ensino fundamental. Na \u00e1rea rural, em boa parte do Brasil, h\u00e1 uma aus\u00eancia de saneamento b\u00e1sico, muitas doen\u00e7as h\u00eddricas, ent\u00e3o a fossa ecol\u00f3gica tem sido interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A senhora poderia falar um pouco sobre a iniciativa que resultou na premia\u00e7\u00e3o na Confer\u00eancia Anprotec? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00f3s recebemos o pr\u00eamio da Anprotec de melhor artigo por um case que n\u00f3s trabalhamos em Parintins, ligado a um empreendedor ind\u00edgena. \u00c9 diferente voc\u00ea trabalhar com um empreendedor que n\u00e3o seja ind\u00edgena, porque a forma de voc\u00ea dialogar com esse empreendedor \u00e9 muito mais facilitada, ele tem muito mais entrada e mais facilidade de comunica\u00e7\u00e3o, de aceita\u00e7\u00e3o dessa l\u00f3gica produtiva dos planos de neg\u00f3cio, da gest\u00e3o, da organiza\u00e7\u00e3o de um determinado empreendimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">J\u00e1 o ind\u00edgena tem um pouco mais de dificuldade, at\u00e9 porque n\u00e3o \u00e9 o horizonte dele, muitos deles est\u00e3o na aldeia e vem para a cidade na busca pela educa\u00e7\u00e3o, na busca por melhorar a qualidade de vida, ent\u00e3o ele tem uma resist\u00eancia com o n\u00e3o ind\u00edgena. Para n\u00f3s iniciarmos o trabalho, foram mais de seis meses de conversa, de di\u00e1logo, de mostrar a import\u00e2ncia da incubadora, de mostrar que aquilo poderia trazer um resultado positivo. Lembrando que uma das nossas metas junto ao Minist\u00e9rio da Cultura \u00e9 a de assessorar ind\u00edgenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Depois de seis meses \u201cde namoro\u201d, conseguimos trabalhar com o Douglas Sater\u00e9-Maw\u00e9, um dos empreendedores que mais se destaca na cidade. N\u00f3s temos ind\u00edgenas dentro da equipe, o que foi fundamental para esse projeto. Eu tenho alunos na gradua\u00e7\u00e3o que s\u00e3o ind\u00edgenas. Tudo isso ajuda nessa ponte junto ao empreendedor ind\u00edgena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Como foi a din\u00e2mica desse trabalho? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando n\u00f3s iniciamos o trabalho, muitas vezes, t\u00ednhamos que inserir um recurso financeiro para que o empreendimento dele pudesse se fortalecer, principalmente essa parte de equipamento que no in\u00edcio estava muito fragilizada. Hoje ele tem uma autonomia financeira e conseguiu se estabelecer no mercado. Um ponto que n\u00f3s avaliamos como fundamental foi a elimina\u00e7\u00e3o dos intermedi\u00e1rios, que faziam com que ele ficasse na depend\u00eancia desses intermedi\u00e1rios que compravam o produto dele a um custo baixo e revendiam para lojistas e outros mercados, at\u00e9 internacionais, a um custo muito maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Os resultados foram \u00f3timos ent\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sim, hoje ele vende para lojistas, mercados, at\u00e9 internacionais, conseguimos criar uma logomarca, ele est\u00e1 na internet; ent\u00e3o a gente o v\u00ea como um case de sucesso pelas dificuldades que n\u00f3s tivemos de chegar at\u00e9 ele, de fazer com que ele aderisse ao projeto da incubadora. Nossa contribui\u00e7\u00e3o foi no sentido de garantir que ele pudesse alavancar novos neg\u00f3cios. Atualmente, ele participa de feiras, coisa que ele nunca havia feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando n\u00f3s vamos a feiras, principalmente internacionais, para eventos, ele geralmente j\u00e1 vai com tudo vendido, apenas para expor mesmo. Ele aumentou em m\u00e9dia 30, 40% o faturamento dele nesses dois anos; e n\u00f3s enxergamos isso como algo muito positivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A senhora poderia falar um pouco sobre essa rela\u00e7\u00e3o entre a etnia Sater\u00e9-Maw\u00e9 e o empreendedor Douglas Sater\u00e9-Maw\u00e9? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Douglas trabalha basicamente com arte ind\u00edgena, tudo que representa a cultura ind\u00edgena, tudo que est\u00e1 representando a cultura dele, que \u00e9 a etnia Sater\u00e9-Maw\u00e9, pr\u00f3pria da regi\u00e3o de Parintins e Barreirinha. Parintins \u00e9 uma cidade polo na regi\u00e3o do baixo Amazonas, ent\u00e3o ela congrega o munic\u00edpio de Barreirinha, de Mau\u00e9s, que s\u00e3o cidades hoje onde se tem o maior contingente de ind\u00edgenas de etnia Sater\u00e9-Maw\u00e9. Nas aldeias, eles vivem basicamente da agricultura, ent\u00e3o o artesanato acaba sendo uma estrat\u00e9gia de trabalho e renda na cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da AmIC com a Anprotec? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00f3s tivemos um evento em setembro sobre o semin\u00e1rio nacional de empreendimentos criativos l\u00e1 na regi\u00e3o, l\u00e1 tivemos a presen\u00e7a do Jorge Audy, que foi contribuir e participar do nosso evento. Foi um momento importante para ele conhecer de perto qual \u00e9 o trabalho que incubadoras de empreendimentos sociais, culturais desenvolvem nas regi\u00f5es, principalmente na regi\u00e3o norte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eu acho que foi um diferencial ele ter ido porque, muitas vezes, a Anprotec fica bastante voltada para essas incubadoras tecnol\u00f3gicas e n\u00e3o potencializa as incubadoras de neg\u00f3cios de impacto socioambiental, como a nossa de empreendimentos criativos, culturais, e que tem um valor econ\u00f4mico, um valor social muito importante para a nossa regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 preciso valorizar esse modelo de incubadoras para que elas possam avan\u00e7ar, crescer e incentivar o surgimento de muitas outras em nossa regi\u00e3o. As incubadoras tecnol\u00f3gicas s\u00e3o extremamente importantes, mas as nossas, que trabalham com a base da pir\u00e2mide, s\u00e3o diferenciais tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>[:]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[:pt]A Incubadora Amazonas Ind\u00edgena Criativa (AmIC) foi premiada pelo trabalho \u201cInova\u00e7\u00e3o e sustentabilidade no empreendimento criativo \u2013 Arte da Poranga Nativa\u201d. 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