{"id":19542,"date":"2017-08-17T17:50:48","date_gmt":"2017-08-17T20:50:48","guid":{"rendered":"http:\/\/anprotec.org.br\/site\/?p=19542"},"modified":"2017-08-17T19:14:42","modified_gmt":"2017-08-17T22:14:42","slug":"artigo-um-futuro-que-precisa-deixar-o-passado-para-tras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/2017\/08\/artigo-um-futuro-que-precisa-deixar-o-passado-para-tras\/","title":{"rendered":"[:pt]Artigo: Um futuro que precisa deixar o passado para tr\u00e1s[:]"},"content":{"rendered":"<p>[:pt]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-19548\" src=\"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Anprotec_Artigo001-300x200.jpg\" alt=\"Anprotec_Artigo001\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Anprotec_Artigo001-300x200.jpg 300w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Anprotec_Artigo001.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\u00c9 lugar comum, embora verdade, dizer que um pa\u00eds n\u00e3o tem futuro sem\u00a0ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o. De fato, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que uma sociedade moderna alcance a justi\u00e7a social e econ\u00f4mica sem promover a gera\u00e7\u00e3o de bens\u00a0e produtos baseados no conhecimento. A produ\u00e7\u00e3o de bens com alto conte\u00fado\u00a0tecnol\u00f3gico melhora a qualidade e efici\u00eancia dos servi\u00e7os, fomenta a forma\u00e7\u00e3o\u00a0intelectual e profissional, gera postos de trabalho qualificados e estimula a introdu\u00e7\u00e3o de elementos inovadores na atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A despeito dessa obviedade, o Brasil n\u00e3o consegue avan\u00e7ar nesse setor, como se estivesse eternamente amarrado a\u00a0correntes que mant\u00eam o pa\u00eds no passado. O problema \u00e9 que o tempo perdido na corrida tecnol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 jamais\u00a0recuperado, j\u00e1 que a fronteira do conhecimento se move com enorme velocidade e a in\u00e9rcia equivale a andar para tr\u00e1s em<br \/>\nrela\u00e7\u00e3o aos demais pa\u00edses do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 importante observar que o pa\u00eds tem colecionado enorme n\u00famero de retrocessos nesse setor. Por exemplo, o Minist\u00e9rio da\u00a0Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o foi fundido ao Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es, gerando uma pasta h\u00edbrida que parece ter\u00a0mais apetite para as quest\u00f5es regulat\u00f3rias que para o fomento \u00e0 pesquisa e \u00e0 formula\u00e7\u00e3o das prioridades tecnol\u00f3gicas do\u00a0pa\u00eds. Logo, n\u00e3o surpreende que a \u00e1rea venha sendo submetida a monumentais restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias, que v\u00eam for\u00e7ando\u00a0jovens pesquisadores brasileiros a deixarem o pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como resultado, o Brasil ocupa vergonhosa cent\u00e9sima posi\u00e7\u00e3o na categoria Inova\u00e7\u00e3o do ranking de competitividade do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial e est\u00e1 sempre entre os \u00faltimos em todos os rankings de empreendedorismo e inova\u00e7\u00e3o\u00a0dispon\u00edveis no mundo. Isso ajuda a explicar a baixa qualidade dos empregos existentes no pa\u00eds e os milhares de p\u00f3s-graduados\u00a0que encontram dificuldades para se integrarem plenamente no mercado de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A capacidade de inova\u00e7\u00e3o da economia depende, dentre outras coisas, de uma base de conhecimento s\u00f3lida, cuja\u00a0constru\u00e7\u00e3o exige d\u00e9cadas de investimentos continuados em laborat\u00f3rios e na forma\u00e7\u00e3o das pessoas. Por isso, a interrup\u00e7\u00e3o\u00a0dos investimentos no setor, mesmo que por curto per\u00edodo, pode provocar grandes estragos, desmontando um patrim\u00f4nio\u00a0que se constr\u00f3i apenas no longo prazo. Depende tamb\u00e9m da boa articula\u00e7\u00e3o entre agentes econ\u00f4micos, universidades e\u00a0institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, cuja m\u00e9trica principal \u00e9 a confian\u00e7a e a colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Portanto, a vis\u00e3o estrat\u00e9gica de longo prazo imp\u00f5e tamb\u00e9m a compreens\u00e3o de que empresas, universidades e institutos de\u00a0pesquisa n\u00e3o desenvolvem rela\u00e7\u00f5es de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, mas de constru\u00e7\u00e3o conjunta do ciclo inovador. A Lei de\u00a0Inova\u00e7\u00e3o promulgada em 2016 veio dar um bafejo de modernidade a esses relacionamentos, mas parte significativa da\u00a0estrutura cartorial do Estado brasileiro insiste na interpreta\u00e7\u00e3o ultrapassada de que o processo de inova\u00e7\u00e3o pode ser\u00a0tratado sob a luz da lei 8666, que trata das compras do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Isso se deve em parte ao fato de que v\u00e1rios regulamentos previstos ainda n\u00e3o foram promulgados, mas principalmente \u00e0\u00a0incapacidade generalizada da burocracia do Estado entender o processo de inova\u00e7\u00e3o e a sua import\u00e2ncia para o futuro do\u00a0pa\u00eds. Como s\u00f3 acontece no Brasil, a rec\u00e9m-nascida Lei de Inova\u00e7\u00e3o corre o risco de n\u00e3o pegar, mantendo o pa\u00eds e suas\u00a0institui\u00e7\u00f5es de pesquisa no atoleiro do passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesse cen\u00e1rio, os brasileiros comprometidos com o futuro devem estar atentos e prontos para resistir \u00e0s for\u00e7as do\u00a0retrocesso; at\u00e9 porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conceber mais perda de tempo nessa \u00e1rea. E por contradit\u00f3rio que possa parecer, a\u00a0mais prolongada e profunda crise da hist\u00f3ria da economia brasileira pode tamb\u00e9m ter criado condi\u00e7\u00f5es para que o pa\u00eds\u00a0avance mais rapidamente na \u00e1rea de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 patente que as grandes empresas reduziram muito seus quadros nos \u00faltimos tr\u00eas anos, mas nesse per\u00edodo tamb\u00e9m t\u00eam\u00a0sido feitos investimentos crescentes em automa\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia artificial e acesso distribu\u00eddo \u00e0 informa\u00e7\u00e3o corporativa,\u00a0constituindo um dos poucos setores em que o crescimento econ\u00f4mico continuou avan\u00e7ando. Assim, h\u00e1 possibilidades reais\u00a0de que uma pol\u00edtica estruturada para o setor, a chamada Ind\u00fastria 4.0, possa servir de motor para o desenvolvimento\u00a0tecnol\u00f3gico consistente do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Deve-se tamb\u00e9m ressaltar que, a despeito da depress\u00e3o prolongada e do pessimismo generalizado, o n\u00famero de ambientes\u00a0de inova\u00e7\u00e3o (incluindo espa\u00e7os de trabalho colaborativo, incubadoras de empresas e parques tecnol\u00f3gicos) aumentou no\u00a0per\u00edodo, assim como o de empresas residentes nesses ambientes. Somado ao interesse crescente dos jovens pela atividade\u00a0empreendedora nos ambientes universit\u00e1rios, parece ser esse o momento para alavancar iniciativas e consolidar uma\u00a0pol\u00edtica de fomento \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e acelera\u00e7\u00e3o de startups.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nessa linha, \u00e9 fundamental a promulga\u00e7\u00e3o de regimes diferenciados para contrata\u00e7\u00e3o de startups pelos diferentes n\u00edveis de\u00a0governo e empresas estatais, em particular quando essas inst\u00e2ncias aportam recursos para o desenvolvimento das\u00a0tecnologias que startups transformam em produtos e servi\u00e7os. N\u00e3o se trata aqui de burla \u00e0 Lei de Licita\u00e7\u00f5es, mas de\u00a0continuidade do processo de inova\u00e7\u00e3o e encadeamento dos elos das linhas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Finalmente, \u00e9 preciso ainda aportar confian\u00e7a e seguran\u00e7a jur\u00eddica aos relacionamentos que se estabelecem entre os entes\u00a0inovadores. N\u00e3o faz sentido, por exemplo, que relacionamentos baseados no desenvolvimento conjunto de tecnologia e\u00a0inova\u00e7\u00e3o, em particular nas parcerias entre entes p\u00fablicos e privados, n\u00e3o reconhe\u00e7am que contratos de longo prazo est\u00e3o\u00a0sujeitos a mudan\u00e7as, como a eventual necessidade de compartilhar instala\u00e7\u00f5es e propriedade intelectual com novos\u00a0parceiros e de transferir bens e contratos para novos atores, sem que para isso seja necess\u00e1rio rescindir os acordos\u00a0originais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 40 anos n\u00e3o existiam a internet, o telefone celular, o Google, a Amazon, o Facebook, sendo absolutamente\u00a0contraproducente estabelecer regras contratuais para os pr\u00f3ximos 40 anos que n\u00e3o admitam como ponto de partida a\u00a0\u00fanica certeza poss\u00edvel \u2013 a de que o mundo e a economia v\u00e3o mudar. E o Brasil precisa tamb\u00e9m mudar, deixando para tr\u00e1s o<br \/>\npassado que nos aprisiona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Jos\u00e9 Carlos Pinto \u00e9 diretor executivo do Parque Tecnol\u00f3gico da UFRJ.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>* Originalmente publicado no Valor Econ\u00f4mico: \u00a0<\/em>http:\/\/www.valor.com.br\/opiniao\/5074476\/um-futuro-que-precisa-deixar-o-passado-para-tras#impresso528172<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Clique na imagem abaixo e confira tamb\u00e9m a entrevista concedida por Jos\u00e9 Carlos Pinto ao Canal Futura:<\/strong> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"http:\/\/www.futuraplay.org\/video\/brasil-esta-no-meio-do-caminho-no-ranking-da-inovacao\/375243\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-19545\" src=\"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Imagem-Vi\u0301deo_Anprotec_001-300x170.jpg\" alt=\"Imagem Vi\u0301deo_Anprotec_001\" width=\"300\" height=\"170\" srcset=\"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Imagem-Vi\u0301deo_Anprotec_001-300x170.jpg 300w, https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Imagem-Vi\u0301deo_Anprotec_001.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>[:]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[:pt]Jos\u00e9 Carlos Pinto, diretor executivo do Parque Tecnol\u00f3gico da UFRJ, analisa o processo de inova\u00e7\u00e3o e a sua import\u00e2ncia para o futuro do pa\u00eds. [:]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":19548,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[3],"tags":[],"calendar":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19542"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19542"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19542\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19573,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19542\/revisions\/19573"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19548"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19542"},{"taxonomy":"calendar","embeddable":true,"href":"https:\/\/anprotec.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/calendar?post=19542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}