{"id":1887,"date":"2026-07-01T23:58:50","date_gmt":"2026-07-01T23:58:50","guid":{"rendered":"https:\/\/anprotec.org.br\/conferencia2026\/?p=1887"},"modified":"2026-07-01T23:58:50","modified_gmt":"2026-07-01T23:58:50","slug":"painel-da-conferencia-anprotec-debate-a-consolidacao-de-ecossistemas-de-inovacao-a-partir-dos-territorios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anprotec.org.br\/conferencia2026\/painel-da-conferencia-anprotec-debate-a-consolidacao-de-ecossistemas-de-inovacao-a-partir-dos-territorios\/","title":{"rendered":"Painel da Confer\u00eancia Anprotec debate a consolida\u00e7\u00e3o de ecossistemas de inova\u00e7\u00e3o a partir dos territ\u00f3rios"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Experi\u00eancias do Brasil e do Canad\u00e1 destacaram a confian\u00e7a, a leitura das voca\u00e7\u00f5es locais, a forma\u00e7\u00e3o de talentos e a articula\u00e7\u00e3o institucional como bases para o desenvolvimento regional.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Manaus (AM), 1\u00ba de julho de 2026<\/strong> \u2013 O Painel Tem\u00e1tico 5 da 36\u00aa Confer\u00eancia Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inova\u00e7\u00e3o reuniu, nesta quarta-feira (1\u00ba), experi\u00eancias de ambientes e institui\u00e7\u00f5es do Brasil e do Canad\u00e1 para discutir como ecossistemas de inova\u00e7\u00e3o podem contribuir de forma concreta para o desenvolvimento regional. Com o tema &#8220;Consolidando ecossistemas para o desenvolvimento regional&#8221;, a atividade foi mediada por Artur Gibbon, diretor de Ambientes de Inova\u00e7\u00e3o da Anprotec.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao abrir o debate, Gibbon observou que a ideia de consolida\u00e7\u00e3o dialoga diretamente com a trajet\u00f3ria da Anprotec e de seus associados. &#8220;Foi interessante usar \u2018consolidando\u2019 no t\u00edtulo, porque \u00e9 algo que fazemos h\u00e1 quase 40 anos, promovendo desenvolvimento regional nos territ\u00f3rios&#8221;, afirmou. Ao longo do painel, os relatos refor\u00e7aram que consolidar ecossistemas n\u00e3o significa replicar modelos prontos, mas sim construir confian\u00e7a, reconhecer as voca\u00e7\u00f5es do territ\u00f3rio e transformar conhecimento, pol\u00edticas p\u00fablicas e articula\u00e7\u00e3o institucional em resultados para empresas, pessoas e regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro relato foi apresentado por Rodrigo Rom\u00e3o, diretor do Parque Tecnol\u00f3gico Metr\u00f3pole Digital, em Natal (RN). Ao tratar da evolu\u00e7\u00e3o do parque, ele destacou que a experi\u00eancia local foi marcada por aprendizados sobre foco, prospec\u00e7\u00e3o ativa e adapta\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias externas \u00e0 realidade do territ\u00f3rio. Entre 2018 e 2025, o Metr\u00f3pole Digital passou de 31 para mais de 200 empresas associadas, ampliou os postos de trabalho de 400 para cerca de 3.600 e, mesmo ap\u00f3s negociar com o munic\u00edpio a redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota de ISS de 5% para 2%, viu a arrecada\u00e7\u00e3o municipal do setor crescer de forma expressiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rom\u00e3o tamb\u00e9m lembrou que, em 2025, o Metr\u00f3pole Digital se tornou o primeiro ambiente de inova\u00e7\u00e3o fora das regi\u00f5es Sul e Sudeste a alcan\u00e7ar o n\u00edvel CERNE 4, est\u00e1gio mais avan\u00e7ado do modelo de certifica\u00e7\u00e3o de maturidade desenvolvido pela Anprotec em parceria com o Sebrae. Para ele, uma das principais li\u00e7\u00f5es do processo \u00e9 evitar a simples importa\u00e7\u00e3o de leis, processos e pr\u00e1ticas de ecossistemas mais consolidados. &#8220;Benchmark n\u00e3o \u00e9 receita, \u00e9 refer\u00eancia&#8221;, resumiu. O diretor tamb\u00e9m defendeu que os ambientes de inova\u00e7\u00e3o precisam ter clareza quanto \u00e0s prioridades. &#8220;Foco n\u00e3o \u00e9 o que voc\u00ea vai fazer, \u00e9 o que voc\u00ea decide n\u00e3o fazer.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na sequ\u00eancia, Karine Guilbault, diretora executiva da Saint-Hyacinthe Technopole, apresentou a experi\u00eancia da cidade de Saint-Hyacinthe, no Quebec, no Canad\u00e1. Com cerca de 60 mil habitantes, o territ\u00f3rio enfrentou, nos anos 1970, o decl\u00ednio de sua ind\u00fastria t\u00eaxtil e passou a apostar em suas compet\u00eancias no setor agroalimentar, em articula\u00e7\u00e3o com ativos locais como a Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria da Universidade de Montreal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Karine, essa especializa\u00e7\u00e3o permitiu a constru\u00e7\u00e3o de uma tecn\u00f3pole agroalimentar reconhecida no Canad\u00e1, com cerca de 1,4 bilh\u00e3o de d\u00f3lares canadenses investidos ao longo das d\u00e9cadas, mais de 200 pesquisadores e cerca de 3 mil empregos qualificados. O ecossistema tamb\u00e9m passou por uma avalia\u00e7\u00e3o internacional de benchmark, ao lado de polos como Oslo e Munique. Mais do que os indicadores, ela destacou a import\u00e2ncia das rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a. &#8220;A confian\u00e7a \u00e9 a infraestrutura invis\u00edvel, e cresce mais r\u00e1pido do que a de concreto&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a diretora executiva, a tecn\u00f3pole atua como tradutora entre universidade, empresas e governo, ajudando a alinhar prioridades e aproximar pesquisa e mercado. Ao compartilhar aprendizados, Karine recomendou que ecossistemas em consolida\u00e7\u00e3o n\u00e3o tentem copiar experi\u00eancias de sucesso, mas sim construam seus pr\u00f3prios caminhos, com base em rela\u00e7\u00f5es consistentes e em m\u00e9tricas capazes de mensurar a transforma\u00e7\u00e3o. Ela tamb\u00e9m apresentou, como pr\u00f3ximo passo, a estrutura\u00e7\u00e3o de um centro orientado pelo conceito de One Health, que integra as sa\u00fades humana, animal e ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, apresentou a trajet\u00f3ria do ecossistema recifense, que completou 25 anos como um dos principais distritos de inova\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. O Porto Digital re\u00fane cerca de 540 empresas, mais de 24 mil trabalhadores e um faturamento anual da ordem de R$ 7,4 bilh\u00f5es. Criado a partir de uma lei municipal de incentivo fiscal, em 2000, e de um modelo de governan\u00e7a multissetorial, o parque tamb\u00e9m se consolidou como refer\u00eancia em regenera\u00e7\u00e3o urbana, com a requalifica\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios hist\u00f3ricos no Recife Antigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lucena destacou empresas que nasceram ou se desenvolveram no ecossistema, como a Tempest, refer\u00eancia em ciberseguran\u00e7a, e a Neurotech, empresa de intelig\u00eancia artificial criada a partir do Centro de Inform\u00e1tica da UFPE e vendida \u00e0 B3. Mas o eixo central de sua fala foi a forma\u00e7\u00e3o de capital humano. Diante da escassez de talentos em tecnologia, o Porto Digital passou a atuar tamb\u00e9m na forma\u00e7\u00e3o de pessoas, com programas de resid\u00eancia nos curr\u00edculos universit\u00e1rios e o Embarque Digital, que oferece bolsas a estudantes de escolas p\u00fablicas de alto desempenho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o se faz inova\u00e7\u00e3o sem povo&#8221;, afirmou Lucena, ao defender que os ecossistemas de inova\u00e7\u00e3o precisam ampliar o acesso de jovens \u00e0s oportunidades da economia digital. Segundo ele, o Embarque Digital recebe cerca de 500 novos estudantes por ano e apresenta uma taxa de evas\u00e3o equivalente a um ter\u00e7o da m\u00e9dia nacional do setor. O presidente do Porto Digital tamb\u00e9m citou o Rec&#8217;n&#8217;Play, evento gratuito que aproxima jovens de comunidades perif\u00e9ricas do ecossistema de tecnologia, e apontou a expans\u00e3o do modelo para territ\u00f3rios como Caruaru, Petrolina, Goi\u00e1s, S\u00e3o Paulo e Aveiro, em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Andr\u00e9 Luiz Carneiro de Ara\u00fajo, presidente do NEPEN, apresentou uma rota distinta para a consolida\u00e7\u00e3o. Em vez de nascer como parque tecnol\u00f3gico, a institui\u00e7\u00e3o se estruturou como uma ICT privada ligada ao setor el\u00e9trico e, a partir da\u00ed, passou a construir um hub de inova\u00e7\u00e3o. Com atua\u00e7\u00e3o em Fortaleza e S\u00e3o Paulo e chegada a Manaus, o NEPEN trabalha com hardware e Internet das Coisas aplicados a cidades inteligentes e a servi\u00e7os de \u00e1gua, g\u00e1s e energia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O diferencial do modelo, segundo Ara\u00fajo, est\u00e1 na capacidade de levar tecnologias desenvolvidas em ambiente de pesquisa a est\u00e1gios mais pr\u00f3ximos da produ\u00e7\u00e3o industrial. Ele explicou que a institui\u00e7\u00e3o atua na transi\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es de TRL 5 ou 6 para TRL 8, em parceria com a ind\u00fastria, combinando desenvolvimento tecnol\u00f3gico, transfer\u00eancia de tecnologia e manufatura sob contrato. &#8220;Transformamos R$ 11 milh\u00f5es em R$ 182 milh\u00f5es em tr\u00eas anos&#8221;, afirmou. Para o presidente do NEPEN, a mudan\u00e7a regulat\u00f3ria de 2024 no P&amp;D do setor el\u00e9trico, ao exigir retorno financeiro dos projetos, criou condi\u00e7\u00f5es para ampliar esse tipo de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O painel foi conclu\u00eddo com a participa\u00e7\u00e3o de Sylvio Goulart Rosa, da Funda\u00e7\u00e3o Parque de Alta Tecnologia de S\u00e3o Carlos (ParqTec), que recuperou a trajet\u00f3ria das pol\u00edticas e institui\u00e7\u00f5es que ajudaram a estruturar o sistema brasileiro de ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o. Em sua fala, ele situou os ambientes de inova\u00e7\u00e3o como resultado de d\u00e9cadas de constru\u00e7\u00e3o institucional, passando por iniciativas ligadas \u00e0 Finep, \u00e0 Embrapa, ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia, ao Sebrae e \u00e0 pr\u00f3pria Anprotec, fundada em 1987.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rosa defendeu que a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica \u00e9 um caminho para gerar riqueza e ampliar oportunidades, com impacto na educa\u00e7\u00e3o, no empreendedorismo e no desenvolvimento. Tamb\u00e9m destacou o papel das incubadoras na forma\u00e7\u00e3o de empreendedores comprometidos com o pa\u00eds e refor\u00e7ou a import\u00e2ncia da articula\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es. Para ele, a consolida\u00e7\u00e3o dos ecossistemas depende de coopera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e de alian\u00e7as capazes de sustentar estrat\u00e9gias de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao encerrar o painel, Artur Gibbon ressaltou a import\u00e2ncia do trabalho conjunto entre gestores e operadores do sistema brasileiro de inova\u00e7\u00e3o. A mensagem comum das experi\u00eancias apresentadas foi que ecossistemas se consolidam quando combinam voca\u00e7\u00e3o territorial, governan\u00e7a, confian\u00e7a, forma\u00e7\u00e3o de pessoas, transfer\u00eancia de conhecimento e capacidade de transformar a inova\u00e7\u00e3o em desenvolvimento para as regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a Confer\u00eancia Anprotec<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A 36\u00aa Confer\u00eancia Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inova\u00e7\u00e3o acontece de 29 de junho a 2 de julho, em Manaus (AM), com o tema \u201cConsolidando Ecossistemas: Empreendedorismo Inovador para a Economia do Futuro\u201d. A edi\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada pela Anprotec em parceria com o Sebrae, com organiza\u00e7\u00e3o local da Funda\u00e7\u00e3o Paulo Feitoza (FPFTech) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Experi\u00eancias do Brasil e do Canad\u00e1 destacaram a confian\u00e7a, a leitura das voca\u00e7\u00f5es locais, a forma\u00e7\u00e3o de talentos e a articula\u00e7\u00e3o institucional como bases para o desenvolvimento regional. 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