{"id":1848,"date":"2026-07-01T18:10:14","date_gmt":"2026-07-01T18:10:14","guid":{"rendered":"https:\/\/anprotec.org.br\/conferencia2026\/?p=1848"},"modified":"2026-07-01T18:10:14","modified_gmt":"2026-07-01T18:10:14","slug":"cerne-como-estrategia-quando-certificacao-deixa-de-ser-selo-para-virar-modelo-de-gestao-e-articulacao-de-ecossistemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anprotec.org.br\/conferencia2026\/cerne-como-estrategia-quando-certificacao-deixa-de-ser-selo-para-virar-modelo-de-gestao-e-articulacao-de-ecossistemas\/","title":{"rendered":"Cerne como estrat\u00e9gia: quando certifica\u00e7\u00e3o deixa de ser selo para virar modelo de gest\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o de ecossistemas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>No Painel Tem\u00e1tico 4 da 36\u00aa Confer\u00eancia Anprotec, em Manaus, dirigentes do Celta, da Incamp e do TecnoPARQ\/UFV mostraram como a certifica\u00e7\u00e3o qualifica processos, amplia credibilidade institucional e abre acesso a recursos, parcerias e pol\u00edticas p\u00fablicas \u2014 do empreendimento incubado \u00e0 rede global.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Manaus (AM), 01 de julho de 2026<\/strong> \u2014 \u00c0s 8h30, na Sala E do Centro de Conven\u00e7\u00f5es Vasco Vasques, o Painel Tem\u00e1tico 4 da 36\u00aa Confer\u00eancia Anprotec partiu de uma premissa direta: aplicado com estrat\u00e9gia, o Cerne, modelo de certifica\u00e7\u00e3o de ambientes de inova\u00e7\u00e3o da Anprotec, \u00e9 muito mais do que um selo. Funciona como um modelo de gest\u00e3o orientado a resultados, capaz de qualificar processos, ampliar a credibilidade institucional e ampliar o acesso a recursos financeiros, parcerias e pol\u00edticas p\u00fablicas. Sob a media\u00e7\u00e3o de Lu\u00eds Gustavo Peles, gestor de Projetos e Opera\u00e7\u00f5es da Anprotec, tr\u00eas dirigentes de ambientes de inova\u00e7\u00e3o foram convidados a demonstrar essa tese na pr\u00e1tica, do empreendimento incubado \u00e0 rede global.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A proposta deste painel \u00e9 mostrar o Cerne n\u00e3o apenas como um requisito, mas como algo que pode ser um benef\u00edcio estrat\u00e9gico, orientado ao desenvolvimento&#8221;, resumiu Peles ao abrir a sess\u00e3o. Para conduzir a conversa, ele prop\u00f4s uma estrutura fluida, com tr\u00eas perguntas, cada uma dedicada a um dos n\u00edveis de maturidade do modelo, com dez minutos para cada painelista desenvolver a resposta a partir da pr\u00f3pria viv\u00eancia. A escolha n\u00e3o foi casual: desenvolvido pela Anprotec em parceria com o Sebrae, o Cerne (Centro de Refer\u00eancia para Apoio a Novos Empreendimentos) organiza-se em quatro n\u00edveis crescentes e cumulativos de maturidade, que v\u00e3o do foco no empreendimento incubado (Cerne 1) \u00e0 gest\u00e3o estrat\u00e9gica do pr\u00f3prio mecanismo (Cerne 2), \u00e0 articula\u00e7\u00e3o em rede e ao impacto no ecossistema (Cerne 3) e, no topo, \u00e0 internacionaliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 inova\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3prios processos (Cerne 4).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Do topo da escada: a incubadora 4.0 e o graduado como &#8220;ouro&#8221;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Coube a Tony Chierighini, vice-presidente da Anprotec e diretor executivo da Incubadora Celta, da Funda\u00e7\u00e3o Certi, puxar a conversa pelo grau mais avan\u00e7ado de maturidade. A escolha tem lastro: Chierighini \u00e9 um dos formuladores hist\u00f3ricos do modelo. Ele situou a origem do Cerne em 2006, a partir de uma provoca\u00e7\u00e3o de Paulo Alvim, ex-ministro de CT&amp;I e ent\u00e3o dirigente do Sebrae, sobre a necessidade de estruturar a gest\u00e3o das incubadoras e produzir n\u00fameros confi\u00e1veis. O desenho nasceu de encontros nacionais realizados em Florian\u00f3polis, Porto Alegre, Recife e Bel\u00e9m, com dezenas de incubadoras associadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O Cerne n\u00e3o vem dizer como voc\u00ea faz; ele vem dizer o que voc\u00ea precisa fazer&#8221;, sintetizou. Foi ali, lembrou, que se encontrou a raiz do Cerne 1. \u00c0 \u00e9poca, muitas incubadoras operavam sem registros b\u00e1sicos: n\u00e3o sabiam sequer onde estavam seus graduados, nem tinham hist\u00f3rico de n\u00fameros. &#8220;O Cerne simplesmente diz: voc\u00ea tem que ter o registro dos seus graduados. Ponto final. A maneira como isso \u00e9 feito \u00e9 uma escolha do ambiente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trajet\u00f3ria do pr\u00f3prio Celta serviu de ilustra\u00e7\u00e3o viva. Uma das primeiras incubadoras de empresas de base tecnol\u00f3gica do Brasil, criada em 1986, completa 40 anos em 2026 e ajudou a converter Florian\u00f3polis, de &#8220;ilha tur\u00edstica&#8221; a polo de tecnologia e inova\u00e7\u00e3o, abrigando, ao longo do caminho, empresas hoje consolidadas. Para Chierighini, esse ac\u00famulo \u00e9 a prova de uma tese: as incubadoras s\u00e3o instrumentos de crescimento regional, e o egresso n\u00e3o \u00e9 um ponto de chegada, mas de partida. &#8220;O nosso graduado \u00e9 o nosso ouro&#8221;, afirmou, defendendo que os graduados se tornam os melhores mentores das empresas que entram depois.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O vice-presidente conectou esse ponto a uma agenda de proatividade que, para ele, define a &#8220;incubadora 4.0&#8221;: o gestor n\u00e3o pode esperar a oportunidade, tem de ser a oportunidade. Citou a atua\u00e7\u00e3o internacional, com miss\u00f5es, conex\u00f5es com parques no exterior e at\u00e9 incuba\u00e7\u00e3o cruzada de empresas em parceria com estruturas de outros pa\u00edses, al\u00e9m de um caso de inova\u00e7\u00e3o aberta em ch\u00e3o de f\u00e1brica, em que a aproxima\u00e7\u00e3o de empresas incubadas a uma grande montadora resultou em ganhos mensur\u00e1veis de produtividade na linha. Tamb\u00e9m recuperou programas que ajudaram a alimentar o funil de entrada, do Sinapse, em Santa Catarina, ao Centelha, sua vers\u00e3o nacional. O fio comum, resumiu, \u00e9 a agilidade: &#8220;A gente tem que ser mais \u00e1gil do que os pr\u00f3prios empres\u00e1rios.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Onde o modelo come\u00e7a: o Cerne 1 e os cinco eixos como diagn\u00f3stico<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se Chierighini apresentou o horizonte, coube a Mariana Zanatta Inglez, gerente da Incamp e ligada \u00e0 Ag\u00eancia de Inova\u00e7\u00e3o Inova Unicamp, trazer o modelo ao ponto em que ele come\u00e7a: o Cerne 1 e seus cinco eixos. A pergunta foi direta: o acompanhamento rigoroso dos eixos muda a qualidade real do apoio \u00e0s empresas, ou vira apenas burocracia interna?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta come\u00e7ou pela honestidade. Aplicar o Cerne, reconheceu, &#8220;n\u00e3o \u00e9 nem muito f\u00e1cil nem muito gostoso&#8221;, sobretudo em uma incubadora que j\u00e1 roda h\u00e1 tempo e precisa reorganizar todo um acervo dentro da metodologia. Mas o retorno aparece no dia a dia. Pelos cinco eixos do modelo (empreendedor, tecnologia, capital, mercado e gest\u00e3o), disse, \u00e9 poss\u00edvel identificar quais compet\u00eancias cada incubado domina e onde falta atuar, permitindo combinar o atendimento coletivo com o individualizado. &#8220;Tem dia que a gente \u00e9 meio div\u00e3&#8221;, brincou, ao descrever a escuta que acompanha o trabalho t\u00e9cnico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O valor concreto ficou evidente em um epis\u00f3dio: quando a Fapesp abriu edital para credenciar incubadoras aptas a receber projetos PIPE, ter o Cerne &#8220;implantado&#8221; foi um diferencial decisivo para reunir rapidamente o volume de informa\u00e7\u00f5es exigido. Mariana tamb\u00e9m destacou a gest\u00e3o do conhecimento como blindagem contra a depend\u00eancia de pessoas: 15 profissionais da Inova, de comunica\u00e7\u00e3o a contratos e infraestrutura, j\u00e1 fizeram o curso do Cerne, de modo que a produ\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias n\u00e3o recai sobre um \u00fanico gestor. Como a Incamp n\u00e3o tem vertical setorial (sua \u00e2ncora \u00e9 a Unicamp, com pesquisa em praticamente todas as \u00e1reas), o monitoramento pelos eixos permite calibrar a oferta e refor\u00e7ar mercado quando falta mercado ou capital quando falta capital, conforme o perfil de cada turma incubada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Al\u00e9m dos muros: o Cerne 3 e o ativo que deixou de ser a infraestrutura<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do diagn\u00f3stico do empreendimento, o painel subiu mais um degrau. Juc\u00e9lia Maia, coordenadora do TecnoPARQ, da Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV), assumiu o Cerne 3 com uma provoca\u00e7\u00e3o que dialoga diretamente com o tema da Confer\u00eancia: a infraestrutura f\u00edsica j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o principal ativo dos mecanismos de inova\u00e7\u00e3o. &#8220;O ativo \u00e9 a conex\u00e3o&#8221;, afirmou, apontando a capacidade de articular universidade, empresas, governo e institui\u00e7\u00f5es de apoio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posicionando o parque como uma organiza\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria dentro da l\u00f3gica da h\u00e9lice tr\u00edplice, ela descreveu o Cerne 3 como o n\u00edvel do transbordamento: relacionamento institucional, articula\u00e7\u00e3o em rede, desenvolvimento colaborativo e responsabilidade socioambiental. Na pr\u00e1tica, isso se traduz no escrit\u00f3rio de liga\u00e7\u00e3o Innovation Link, que capta demandas do mercado e as leva \u00e0 universidade, seja para inova\u00e7\u00e3o aberta com grandes corpora\u00e7\u00f5es, seja para solu\u00e7\u00f5es j\u00e1 prontas das startups, e na presen\u00e7a ativa em redes regionais e estaduais, de arranjos locais e da Zona da Mata \u00e0 Rede Mineira de Inova\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de conselhos municipais e de parques e de redes internacionais. &#8220;O mecanismo de inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o age sozinho: ele precisa de parceiros para entregar valor e ampliar o impacto&#8221;, resumiu, observando que a revis\u00e3o de 2025 do modelo refor\u00e7ou justamente esse papel de articulador do ecossistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O informe: o Cerne 2025 j\u00e1 mobiliza a rede<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O gancho da revis\u00e3o rendeu, na sequ\u00eancia, um informe operacional. O novo Cerne 2025 j\u00e1 mobiliza a rede. A nova gera\u00e7\u00e3o do modelo substitui a refer\u00eancia exclusiva a &#8220;incubadoras&#8221; pelo conceito mais amplo de &#8220;mecanismo de inova\u00e7\u00e3o&#8221;, passou a vigorar em fevereiro de 2026 e incorpora temas como ESG, governan\u00e7a, diversidade e internacionaliza\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis mais avan\u00e7ados. Segundo Peles, o primeiro semestre de 2026 registrou 140 inscri\u00e7\u00f5es e 94 pessoas qualificadas no novo referencial. Um regulamento com a oferta de qualifica\u00e7\u00e3o para o segundo semestre deve ser publicado ainda em julho, informa\u00e7\u00e3o que circular\u00e1 pelos canais oficiais da Anprotec.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aberto o microfone para perguntas, um gestor de ambiente de inova\u00e7\u00e3o vinculado a uma universidade federal trouxe o desafio que atravessa boa parte da rede: a rotatividade (de estagi\u00e1rios, pesquisadores e da pr\u00f3pria gest\u00e3o) que corr\u00f3i a mem\u00f3ria e a continuidade institucional. &#8220;Tecnologia nunca substitui o processo&#8221;, ponderou; sem o processo bem implantado, nenhuma ferramenta se sustenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta de Chierighini refor\u00e7ou o fio condutor do painel. O ant\u00eddoto contra a descontinuidade, argumentou, \u00e9 o alinhamento com a alta administra\u00e7\u00e3o sustentado por evid\u00eancias: n\u00fameros, dados e fatos que permitam levar os problemas (e n\u00e3o apenas os acertos) para cima e manter o di\u00e1logo institucional vivo entre uma gest\u00e3o e outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao fim do primeiro bloco, o painel havia costurado uma tese \u00fanica a partir de tr\u00eas realidades distintas: uma incubadora catarinense de quatro d\u00e9cadas, um parque paulista ancorado em uma universidade de pesquisa e um parque mineiro voltado \u00e0 articula\u00e7\u00e3o regional. Mais do que um selo, o Cerne \u00e9 o instrumento que permite aos ambientes de inova\u00e7\u00e3o deixar de ser infraestrutura passiva e assumir o papel de operadores ativos das agendas de CT&amp;I, exatamente o horizonte que a 36\u00aa Confer\u00eancia Anprotec prop\u00f5e ao discutir a consolida\u00e7\u00e3o dos ecossistemas brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sobre a Confer\u00eancia Anprotec<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A 36\u00aa Confer\u00eancia Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inova\u00e7\u00e3o acontece de 29 de junho a 2 de julho, em Manaus (AM), com o tema \u201cConsolidando Ecossistemas: Empreendedorismo Inovador para a Economia do Futuro\u201d. A edi\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada pela Anprotec em parceria com o Sebrae, com organiza\u00e7\u00e3o local da Funda\u00e7\u00e3o Paulo Feitoza (FPFTech) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Painel Tem\u00e1tico 4 da 36\u00aa Confer\u00eancia Anprotec, em Manaus, dirigentes do Celta, da Incamp e do TecnoPARQ\/UFV mostraram como a certifica\u00e7\u00e3o qualifica processos, amplia credibilidade institucional e abre acesso a recursos, parcerias e pol\u00edticas p\u00fablicas \u2014 do empreendimento incubado \u00e0 rede global. 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